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VIÉGAS et al.

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Arq. Ciênc. Vet. Zool. UNIPAR, Umuarama, v. 20, n. 1, p. 9-13, jan./mar. 2017

Soro de leite em substituição...

ISSN: 1982-1131

SORO DO LEITE EM SUBSTITUIÇÃO AO LEITE NA CRIA DE 

BEZERROS

Julio Viégas

1

Fernando Reimann Skonieski

2

Alexandre Weber

3

Adalgiza Pinto-Neto

2

Ronaldo Lopes Oliveira

4

Cláudio Vaz Di Mambro Ribeiro

4

Rogério Fôlha Bermudes

5

Maria de Fátima Leal Nörnberg

6

VIÉGAS, J.; SKONIESKI, F. R.; WEBER, A.; PINTO-NETO, A.; OLIVEIRA, R. L.; RIBEIRO, C. V. D. M.; BERMUDES, 

R. F.; NÖRNBERG, M. de F. L. Soro de leite em substituição ao leite na cria de bezerros. 

Arq. Ciênc. Vet. Zool. UNIPAR

Umuarama, v. 20, n. 1, p. 9-13, jan./mar. 2017.

RESUMO: O uso de leite na alimentação de bezerras representa o maior custo na fase de cria. Com o objetivo de avaliar a 

viabilidade técnica da utilização de diferentes quantidades de dieta líquida na alimentação de bezerros da Raça Holandês, 

utilizou-se 160 ou 240 litros de dieta líquida, durante um período de 53 dias (do quarto ao 56

o

 dia de vida) de aleitamento com 

diferentes níveis de inclusão de soro de leite em substituição ao leite integral (0, 10 e 20%), em esquema fatorial 2x3 (160 ou 

240 litros de dieta líquida e 0, 10 ou 20% de inclusão de soro do leite), conduzido no Laboratório de Bovinocultura Leiteira 

da Universidade Federal de Santa Maria. Os animais foram distribuídos inteiramente ao acaso em seis tratamentos, com 

quatro repetições por tratamento. Foram avaliados o consumo de matéria seca do concentrado (CMSC), da matéria seca total 

(CMST), ganho médio diário (GMD), conversão alimentar (CA), peso vivo final (PVF) e o comportamento dos animais. Para 

os níveis de soro do leite, ocorreu uma resposta quadrática (p<0,05) para o CMSC, CMST, GMD e CA. Os bezerros que re-

ceberam 160 litros de leite apresentaram maior (p<0,05) CMSC, porém pior CA. O CMST, o GMD e o PVF foram superiores 

(p<0,05) para os bezerros que consumiram 240 litros de leite durante o período experimental, com melhor CA para esse grupo 

de animais. Na análise do comportamento não foi determinada diferença significativa para os parâmetros avaliados (p>0,05).

PALAVRAS-CHAVE: Aleitamento. Bovinos de leite. Conversão alimentar. Ganho médio diário.

USE OF WHEY IN SUBSTITUTION TO MILK IN HOLSTEIN CALVES

ABSTRACT: The use of milk in the calves feed represents the largest cost in the calf production system. The aim was to 

evaluate the technical feasibility of using different amounts of liquid diet in feeding of Holstein calves. It was used 160 or 240 

liters of milk during 53 days (from the fourth to the 56th day of life) of feeding with different levels of milk serum included 

to whole milk (0, 10 and 20%), in a factorial 2x3 model conducted at the Dairy Cattle Laboratory of the Federal University of 

Santa Maria. The animals were randomly assigned to six treatments with four replicates per treatment. The dry matter intake 

of concentrate (DMIC), of the total dry matter (TDM), average daily gain (ADG), feed conversion (FC), final body weight 

(FBW) and the behavior of animals. For milk serum levels, there was a quadratic response (p<0.05) for the DMIC, TDM, 

ADG and FC. DMIC and FC were higher (p<0.05) for calves received 160 liters of milk. The ADG, TDM and FBW were 

higher for calves that consumed 240 liters of milk during the experimental period, while FC was lower (p<0.05) for this group 

of calves. There was no difference in the behavior of calves for the evaluated parameters (p>0.05).

KEYWORDS: Average daily gain. Dairy cattle. Feeding. Feed conversion. Weight gain.

SUERO DE LECHE EN SUSTITUCIÓN A LA LECHE EN CRÍA DE TERNEROS

RESUMEN: El uso de leche en la alimentación de terneros representa el costo más grande en la fase de creación. Con el 

fin de evaluar la viabilidad técnica de utilizar diferentes cantidades de dieta líquida en la alimentación de terneros de la raza 

holandesa, se utilizaron 160 o 240 litros de dieta líquida por un período de 53 días (desde el cuarto hasta el día 56º día de 

vida), alimentación con diferentes niveles de adición de suero de leche entera (0, 10 y 20%), en un estudio factorial 2x3 (160 

0 240 litros de dieta líquida y 0, 10 o 20% de inclusión de suero de leche), llevado a cabo en el Laboratorio de Ganado Le-

chero de la Universidad Federal de Santa María. Los animales se distribuyeron completamente al azar en seis tratamientos 

con cuatro repeticiones por tratamiento. Se evaluó el consumo de materia seca del concentrado (CMSC), de la materia seca 

total (CMST), ganancia media diaria (GMD), conversión alimenticia (CA), el peso vivo final (PVF) y el comportamiento de 

DOI: https://doi.org/10.25110/arqvet.v20i1.2017.6313

1

Docente. Titular do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM. e-mail: jviegas@smail.ufsm.br

2

Docentes. Curso de Medicina Veterinária. Campus Realeza - UFFS.

3

Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM.

4

Docente. Associado do Departamento de Produção Animal da Universidade Federal da Bahia – UFBA.

5

Docente. Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Pelotas – UFPEL.

6

Docente. Tecnologia do Leite e derivados e de Tecnologia dos Produtos de Origem Animal do DTCA/UFSM.

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VIÉGAS et al.

ISSN: 1982-1131

Introdução

O leite tem papel de destaque tanto na dieta da po-

pulação como na economia do país. Pesquisas vêm sendo 

realizadas buscando alternativas que permitam maximizar os 

índices produtivos e a receita líquida obtida com a atividade 

de produção leiteira (IPARDES, 2009). O mesmo leite utili-

zado para consumo humano é também usado na alimentação 

de bezerros. Portanto, subprodutos como o soro do leite ou 

sucedâneos lácteos mais baratos do que o próprio leite, apre-

sentam potencial para o uso na alimentação de bezerras, po-

dendo resultar em benefícios para o produtor, como produção 

de bezerros/novilhas a custos mais baixos, maiores quantida-

des de leite para a venda e menores quantidades de soro do 

leite na indústria, geradores de poluição ambiental (FONTES 

et al., 2006). 

O crescente consumo de produtos lácteos, principal-

mente em países emergentes como o Brasil, acarreta maior 

preocupação com relação ao destino dos efluentes industriais. 

Nesse caso, enquadra-se o soro do leite que, ao ser despeja-

do no meio ambiente, provoca sérios problemas de poluição 

(BARBOSA et al., 2009; OLIVEIRA, et al., 2012). Constata-

-se que este tipo de poluição é grave, uma vez que a fabri-

cação de queijos é obtida pelo volume total de leite empre-

gado, sendo 85% na forma de soro. Sendo assim, cada quilo 

de queijo produzido, em média, resulta em 5,6 kg de soro de 

elevado potencial poluente (ALAIS, 1985; MELLO, 1989). 

Evidentemente, existe dúvida em relação ao volume 

e qualidade da dieta líquida dispensada aos bezerros, sem que 

haja comprometimento do desenvolvimento do animal. Nor-

malmente, em sistemas de desaleitamento precoce utilizados 

no Brasil empregam-se quantidades pequenas de leite, entre 

160 e 200 kg por bezerro, com o desaleitamento sendo reali-

zado, normalmente, entre a quinta e a oitava semana de vida. 

Os elevados teores de minerais e lactose e baixo teor 

de gordura (fatores predisponentes a diarreias) são as princi-

pais restrições à utilização em grandes quantidades de soro do 

leite na alimentação de bezerros. O soro é um produto líquido 

e perecível, com grande variabilidade em composição, o que 

dificulta seu manejo e comercialização. No entanto, Germano 

(1991) cita que o soro, embora apresente menor valor energé-

tico que o leite (41,6% do total de energia digestível), supre as 

necessidades protéicas dos bezerros. Tronco (1997) relata que 

as proteínas do soro do leite, do ponto de vista nutricional, são 

das mais valiosas encontradas na natureza, sendo formadas 

pelas frações de albumina do soro, alfa-lactoalbumina, beta-

-lactoglobulina, imunoglobulinas e proteose-peptona. 

Objetivou-se com esse estudo avaliar alternativas 

de baixo custo para aleitamento de bezerros leiteiros da Raça 

Holandês, a viabilidade técnica e o comportamento desses 

animais, sob aleitamento com diferentes níveis de inclusão de 

soro do leite em substituição ao leite integral.

Material e Métodos

O trabalho foi conduzido no Laboratório de Bovi-

nocultura Leiteira da Universidade Federal de Santa Maria 

(UFSM), situada na região fisiográfica da Depressão Central 

do Estado do Rio Grande do Sul, à altitude de 95 m, 29º 43’ 

de latitude sul e 53º 42’ de longitude oeste. O clima da região 

é  o  subtropical  úmido,  conforme  classificação  de  Köppen, 

com precipitação média anual de 1769 mm, temperatura mé-

dia anual de 19,2ºC, com média mínima de 9,3ºC em julho e 

média máxima de 24,7 ºC em janeiro.

Utilizaram-se bezerros (machos e fêmeas) da Raça 

Holandês, conduzidos em piquete de cria, sobre campo nativo 

em abrigos individuais, sendo introduzidos no experimento a 

partir do quarto dia de vida, após três dias de período colos-

tral, e desmamados aos 56 dias de idade. Os tratamentos con-

sistiram no fornecimento de 160 ou 240 litros de dieta líquida, 

durante o período de 53 dias de aleitamento, com três níveis 

de inclusão de soro de leite em substituição ao leite integral. 

O volume de dieta líquida fornecido diariamente aos animais 

experimentais foi de quatro e seis litros do quarto ao 30

dia, 

e de dois e três litros do 31

o

 ao 56

o

, nos tratamentos com for-

necimento total de 160 e 240 litros (Tabela 1).

Tabela 1:  Aleitamento durante 56 dias de vida, em bezerros da raça Holandesa, submetidos à dieta líquida de leite e diferentes 

porcentagens de soro.

Porcentagem 

de substituição 

do leite pelo 

soro 

Quantidade de dieta líquida

160 litros

240 litros

4º ao 30º dia

31º ao 56º dia

4º ao 30º dia

31º ao 56º dia

Leite 

(l/dia)

Soro 

(l/dia)

Leite 

(l/dia)

Soro 

(l/dia)

Leite

(l/dia)

Soro 

(l/dia)

Leite 

(l/dia)

Soro 

(l/dia)

0

4

0

2

0

6

0

3

0

10

3,6

0,4

1,8

0,2

5,4

0,6

2,7

0,3

20

3,2

0,8

1,6

0,4

4,8

1,2

2,4

0,6

A dieta líquida, de acordo com cada tratamento, foi 

fornecida duas vezes ao dia, em baldes, às 07:30 e 17 horas. 

O soro do leite foi originado da Escola Usina de Laticínios da 

UFSM, coletado nas terças e sextas-feiras, e armazenado em 

tonéis de 50 litros em resfriador de leite de imersão, sem a 

adição de qualquer tipo de conservante. 

los animales. Para los niveles de suero de leche, hubo una respuesta cuadrática (p<0,05) para el CMSC, CMST, GMD y CA. 

Los terneros que recibieron 160 litros de la leche presentaron mayor (p<0,05) CMSC, sin embargo con peor CA. Las vari-

ables CMST, GMD y PVF fueran mayores (p<0,05) para los terneros que consumieron 240 litros de leche durante el período 

experimental, mientras con mejor CA para ese grupo de animales. En el análisis del comportamiento no ha sido determinada 

diferencia significativa para los parámetros evaluados (p>0,05).

PALABRAS CLAVE: Ganado lechero. Amamantamiento. Conversón alimenticia. Ganancia media diaria.

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O leite fornecido aos bezerros era composto de 87,7 

% de água, 12,3 % de extrato seco total (EST) e 3,27 % de 

gordura, enquanto o soro do leite continha 92,9 % de água 

e 7,1 % de EST (0,9 % de gordura, 4,8 % de lactose, 0,8 % 

de minerais e 0,6 % de proteína). Adicionalmente, a água foi 

fornecida ad libitum, em baldes e ao abrigo do sol. 

A partir do oitavo dia pela manhã iniciou-se o forne-

cimento de concentrado, considerando 10% de sobras avalia-

das no dia posterior ao fornecimento, com a finalidade de não 

ocasionar restrição ou desperdício, cuja composição era de 

grão de milho moído (57,6 %), farelo de soja (37,9 %), grão 

de sorgo moído (3,5 %), sal comum (0,5 %) e calcário calcí-

tico (0,5 %), ajustada segundo os requerimentos nutricionais 

do NRC – Gado de leite (2001), contendo 86,9 % de matéria 

seca (MS), 19,9 % de proteína bruta (PB), 15,3 % de fibra em 

detergente neutro (FDN) e 73,8 % de nutrientes digestíveis 

totais (NDT).

O consumo de concentrado foi avaliado diariamen-

te por meio dos controles de oferta e sobras, sendo as men-

surações realizadas em balança com precisão de um grama, 

corrigido para consumo de concentrado na base seca. Foram 

avaliados ainda o consumo de MS da dieta líquida e o consu-

mo de MS total (MS líquida + MS concentrado). 

O ganho de peso dos animais foi calculado pela afe-

rição do peso vivo ao início e término de cada etapa experi-

mental (4º ao 30° dia e 31° ao 56° dia), em balança digital 

com precisão de 10g, após 12 horas de regime hídrico. A con-

versão alimentar foi calculada pela razão entre consumo de 

MS total e ganho de peso no período.

O comportamento dos animais experimentais foi 

avaliado durante três dias consecutivos, no período das 06:30 

às 18:30 horas, onde seis observadores, em sistema de reve-

zamento, anotaram a cada cinco minutos as seguintes ativi-

dades realizadas pelos bezerros: pastejando, ruminando em 

pé, ruminando deitado, ócio em pé, ócio deitado, atividades 

lúdicas, consumindo concentrado e consumindo água (CAR-

LOTTO et al., 2007). Essa avaliação foi realizada no período 

em que os animais recebiam 100 % da dieta líquida. 

Utilizou-se o delineamento inteiramente casuali-

zado, com os tratamentos distribuídos em um fatorial 2x3, 

sendo dois níveis de dieta líquida (160 e 240 litros) e três 

níveis de substituição do leite por soro do leite (0, 10 e 20%), 

perfazendo seis tratamentos com quatro repetições (animais). 

Foi realizada análise de variância e comparação de médias 

por meio do Teste de Tukey, considerando ao nível de 5% de 

probabilidade, utilizando-se o pacote estatístico SAS (2001). 

A data de entrada dos animais no experimento e o peso vivo 

ao nascer foram utilizados como covariáveis no modelo es-

tatístico.

Resultados e Discussão

Não houve interação entre as diferentes percen-

tagens de soro do leite e as quantidades de dieta líquida 

(p>0,05). Dessa forma, os dados foram analisados pelos seus 

efeitos principais, não apresentando efeito das covariáveis 

(peso inicial e final) analisadas sobre os parâmetros zootécni-

cos e comportamentais avaliados (p>0,05).

O menor consumo de dieta líquida (160 litros) fa-

voreceu o consumo de concentrado pelos bezerros (p<0,05 

- Tabela 2), semelhante aos dados citados por Jasper e Weary 

(2002). A redução do custo da alimentação de bezerros está 

associada com a redução do consumo de dieta líquida (leite) 

que poderá ser utilizado para venda pelo produtor rural, desde 

que não comprometa o desempenho dos animais. Esse aspec-

to é importante na medida em que determinará o maior ou 

menor aporte de energia e a regulação da ingestão da dieta só-

lida (FONTES et al., 2006). Maior consumo de concentrado 

está associado ao desenvolvimento de papilas ruminais per-

mitindo rápida passagem do bezerro de pré-ruminante para 

ruminante efetivo (LEEK, 2006). 

Tabela 2: Parâmetros avaliados em bezerros da raça Holan-

desa até os 56 dias de idade, submetidos a diferentes quanti-

dades de dieta líquida

Parâmetros avaliados

160 litros 240 litros

Consumo de concentrado na base 

seca (kg)

15,70

a

13,28

b

Consumo de MS dieta líquida 

(kg)

18,38

b

27,31

a

Consumo de MS total (kg)

34,08

b

40,59

a

Ganho de peso (kg)

13,60

b

21,50

a

Ganho médio diário (kg)

0,24

b

0,38

a

Conversão alimentar

2,51

a

1,89

b

a,b

Médias seguidas de letras diferentes, na mesma linha, diferem 

(p<0,05).

O maior consumo de dieta líquida, observado nos 

animais alimentados com  240 litros,  diminuiu o consumo 

de concentrado, no entanto, proporcionou maior consumo de 

MS total, sendo fundamental para maior aporte de nutrien-

tes e maior ganho de peso em todo o período de avaliação 

(p<0,05 - Tabela 2). Além disso, a menor conversão alimentar 

foi obtida quando os animais ingeriram maior quantidade de 

dieta líquida, evidenciando a menor qualidade do concentra-

do em relação a dieta líquida (p<0,05). Segundo Guimarães 

et al. (2012), a melhor eficiência na conversão é resultado de 

oferta de energia e nutrientes acima das exigências de man-

tença.

Tabela 3: Parâmetros avaliados em bezerros da raça Holan-

desa até os 56 dias de idade, submetidos a diferentes porcen-

tagens de soro de leite administrados a dieta líquida.

Parâmetros avaliados

Porcentagem de soro 

ofertado na dieta

0

10

20

Consumo de concentrado (kg)

14,99

b

19,15

a

11,97

c

Consumo de MS dieta líquida 

(kg)

24,60

a

23,82

ab

22,52

b

Consumo de MS total (kg)

39,59

b

42,97

a

34,49

c

Ganho de peso (kg)

18,88

ab

23,00

a

16,58

b

Ganho médio diário (kg)

0,34

ab

0,41

a

0,30

b

Conversão alimentar

2,10

ab

1,87

b

2,08

ab

a,b

Médias seguidas de letras diferentes, na mesma linha, diferem 

(p<0,05).

O soro de leite, por conter proteínas de elevado valor 

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nutricional, é considerado uma alternativa viável na alimen-

tação de bezerros como substituto do leite e, portanto, fator 

importante na diminuição do custo de cria desses animais 

(FONTES et al., 2006; LIMA et al., 2012). A inclusão de 10% 

de soro do leite na dieta dos bezerros experimentais propor-

cionou maior consumo de concentrado (p<0,05), o que po-

deria antecipar o desaleitamento. Além disso, esses animais 

consumiram maior quantidade de MS total, com maior ganho 

de peso no período e melhor conversão alimentar (p<0,05 - 

Tabela 3). 

De forma contrária, a inclusão de 20% de soro a die-

ta dos bezerros estudados não foi satisfatória, uma vez que 

esses animais apresentaram o menor consumo de concentrado 

e MS total (p<0,05), possivelmente levando à consequências 

negativas sobre seu desempenho (Tabela 3). Cabe salientar 

que o menor consumo de MS na dieta líquida, para os animais 

suplementados com soro de leite, deve-se a menor quantidade 

de sólidos totais nesse material (Tabela 3).

A queda no consumo de MS total e de concentrado, 

após 10% de inclusão de soro de leite, foi observada em be-

zerros de zero a seis semanas, que apresentaram maior con-

sumo com o emprego de até 10% de soro do leite, e posterior 

diminuição até 30% de soro na dieta (MORRIL et al., 1974). 

Especula-se que a queda no consumo de MS com inclusões 

de soro de leite acima de 10% ocasiona diminuição da palata-

bilidade da dieta líquida, podendo também ocasionar descon-

forto pós-ingestivo, como elevada acidez estomacal e diarreia 

(CARLOTTO et al., 2007). A diminuição do consumo à me-

dida que aumentou a percentagem de soro do leite na dieta 

líquida também foi observada por Anderson et al. (1974), ao 

relatarem significativa redução do consumo de feno e con-

centrado (0,700 a 1 e 1 kg/dia, respectivamente) para cada 

quilo de soro, do leite em pó consumido por bezerros da raça 

Holandesa. 

A quantidade de dieta líquida e as diferentes por-

centagem de soro de leite na dieta ingerida não interferiram 

no comportamento dos bezerros experimentais, em nenhuma 

das atividades avaliadas (p>0,05 - Tabelas 4 e 5). Conside-

rando os valores médios dos tratamentos, observou-se que o 

comportamento mais comum dos bezerros foi o ócio (60% do 

tempo avaliado nesta condição), sendo 46% das observações 

em ócio deitado e 14% em ócio de pé. Os animais permane-

ceram 17,5% do tempo de avaliação em pastejo, sendo rea-

lizado com maior frequência nas primeiras horas da manhã, 

ao redor do meio dia e ao entardecer. A ruminação respondeu 

por 10,5% do tempo de avaliação, ocorrendo com maior fre-

quência no meio da manhã e da tarde, sendo que os animais 

começaram a ruminar em torno dos 30 dias de idade. 

Tabela 4: Parâmetros comportamentais de bezerros da raça Holandesa até os 56 dias de idade, submetidos à diferentes quan-

tidades de dieta líquida. 

240 litros

Posição

Atividade

160 litros

240 litros

Horas de 

observação

%

Horas de 

observação

%

Deitado

Ócio

5,54

46,2

5,50

45,8

Ruminando

1,19

9,92

0,87

7,25

Em pé

Ócio

1,58

13,2

1,78

14,8

Ruminando

0,24

2,0

0,22

1,83

Pastejando

1,97

16,4

2,23

18,6

At. Lúdicas

0,86

7,16

1,06

8,83

Ração

0,42

3,50

0,14

1,17

Água

0,20

1,67

0,20

1,67

Tabela 5: Parâmetros comportamentais de bezerros da raça Holandesa até os 56 dias de idade, submetidos à diferentes porcen-

tagens de soro de leite administrados a dieta líquida.

Posição

Atividade

Porcentagem de soro ofertado na dieta

0%

10%

20%

Horas de 

observação

(%)

Horas de 

observação

(%)

Horas de 

observação

(%)

Deitado

Ócio

5,69

47,4

5,16

43,0

5,71

47,6

Ruminando

0,81

6,75

1,42

11,8

0,85

7,08

Em pé

Ócio

1,76

14,6

1,35

11,2

1,92

16,0

Ruminando

0,23

1,92

0,33

2,75

0,17

1,42

Pastejando

2,24

18,6

2,01

16,7

2,06

17,2

At. Lúdicas

0,93

7,75

1,15

9,58

0,79

6,58

Ração

0,16

1,33

0,42

3,50

0,26

2,17

Água

0,18

1,50

0,16

1,34

0,24

2,0

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VIÉGAS et al.

13

Arq. Ciênc. Vet. Zool. UNIPAR, Umuarama, v. 20, n. 1, p. 9-13, jan./mar. 2017

Soro de leite em substituição...

ISSN: 1982-1131

Conclusão

Nas condições desse estudo, a substituição do leite 

por soro do leite na dieta líquida deve ser no máximo de 10%, 

durante o aleitamento de bezerros da Raça Holandês, até os 

56 dias de vida. O melhor desempenho dos animais foi obtido 

com o fornecimento de 240 litros de dieta líquida durante o 

período experimental. 

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Recebido em: 20.11.2016

Aceito em: 14.02.2017

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