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Campo Digit@l: Rev. Ciências Exatas e da Terra e Ciências Agrárias, v. 11, n. 1, p.1-7, jan./jul., 2016 

ISSN:1981-092X 

 

Revista Campo Digit@l, v. 11, n. 1, p.1-7, jan./jul., 2016. 

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Arti

go
 

Co
mpleto

 

 

 

EFICÁCIA DE FÁRMACOS CONTRA Giardia muris EM CAMUNDONGOS SWISS 

NATURALMENTE INFECTADOS 

EFFECTIVENESS OF DRUGS AGAINST Giardia muris in SWISS MICE NATURALLY INFECTED 

Mariana Felgueira Pavanelli

1,2 

Tatiane Izaura Garcia

Cristiane Maria Colli

1

Faculdade Integrado de Campo Mourão, Campo Mourão – PR 

2

Universidade Estadual de Maringá / UEM, Maringá - PR  

2

Universidade Estadual de Maringá-PR 

 

RESUMO 

A  utilização  de  animais  de  laboratório  é  extremamente  relevante  para  o  desenvolvimento  de  pesquisas 
científicas  em  áreas  como  ciências  biológicas  e  da  saúde.  Para  que  os  resultados  experimentais  sejam 
confiáveis  é  necessário  que  o  animal  esteja  em  homeostase  fisiológica,  livre  de  infecções  microbianas. 
Giardia  muris  é  um  protozoário  frequentemente  presente  em  roedores  provenientes  de  biotérios.  O 
objetivo do presente trabalho foi avaliar e comparar a taxa de eficácia dos fármacos antiparasitários contra 
Giardia muris. Foram utilizados camundongos Swiss com giardíase murina, detectada por meio da técnica 
de  centrífugo-flutuação.  Estes  animais  foram  tratados  com  4  mg/ml  de  albendazol,  metronidazol, 
secnidazol, febendazol e nitazoxanida, por cinco dias consecutivos. Os fármacos albendazol, febendazol e 
nitazoxanida  apresentaram  100%  de  eficiência.  A  eficácia  da  terapia  com  metronidazol  e  secnidazol  foi 
insatisfatória,  82,9%  e  38%  respectivamente.  Albendazol,  febendazol  e  nitazoxanida  são  eficientes  na 
erradicação de Giardia muris, entretanto são necessários novos estudos para estabelecer dosagens seguras 
e eficazes a fim de auxiliar na padronização de protocolos terapêuticos para a giardíase murina. 

Palavras chave: antiparasitários; animais de laboratório; albendazol. 

ABSTRACT 

The  use  of  laboratory  animals  is  extremely  important  for the  development  of  scientific  research  in  areas 
such  as  biology  and  health.  For  the  experimental  results  are  reliable  is  necessary  that  the  animal  be  in 
physiological homeostasis free from microbial infections. Giardia muris is a protozoan who often is present 
in  rodents  from  vivarium.  Objective  Evaluating  and  comparing  the  efficacy  rate  of  antiparasitic  drugs 
against Giardia muris. For the experiment were used Swiss mice who presented murine giardiasis detected 
by  the  technique  flotation.  These  animals  were  treated  with  4  mg/ml  of  albendazole,  metronidazole, 
secnidazol, febendazol and nitazoxanide by five consecutive days. The drugs Albendazole, febendazole and 
Nitazoxanide showed 100 % efficiency. However, the efficacy of therapy with metronidazole and secnidazol 
was unsatisfactory, 82.9 % and 38% respectively. Albendazole, febendazole and nitazoxanide are effective 
in eradicating Giardia muris, however, are necessary further studies to establish safe and effective dosages 
in order to assist the therapeutic standardization of protocols for the murine giardiasis 

Key Words: antiparasitic; laboratory animals; albendazole.

 

 

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Pavanelli et al., 2016 

 

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INTRODUÇÃO

 

A  utilização  de  animais  de  laboratório  é 

extremamente relevante para o desenvolvimento 
de  pesquisas  científicas  em  áreas  como  ciências 
biológicas  e  da  saúde  (BRAGGIO  et  al.,  2003; 
ALVES  et  al.,  2007;  BICALHO  et  al.,  2007; 
CHORILLI  et  al.,  2007;  MEDEIROS  et  al.,  2008; 
BRANCO et al., 2011).  Animais de várias espécies 
têm  sido  empregados  nas  pesquisas,  sendo  os 
roedores  os  mais  utilizados  (CHORILLI  et  al., 
2007). 

 Para  que  os  resultados  experimentais 

sejam confiáveis é necessário que a cobaia esteja 
em  homeostase  fisiológica  e,  para  que  esse 
equilíbrio  aconteça  são  necessárias  medidas  que 
proporcionem  o  bem  estar  animal,  como 
cuidados com a condição ambiental (BRAGGIO et 
al.,  2003;  ALVES  et  al.,  2007;  BICALHO  et  al., 
2007; MEDEIROS, et al., 2008). 

Entretanto,  mesmo  que  os  cuidados 

necessários  sejam  empregados,  pode  haver 
infecção  microbiana  direta  ou  por  meio  de 
fômites 

contaminados. 

Dentre 

os 

microrganismos,  os  maiores  responsáveis  por 
infecções  em  biotérios  são  os  enteroparasitos, 
especialmente  Giardia  muris.  Muitas  vezes  o 
animal  infectado  não  apresenta  sintomas,  o  que 
favorece a disseminação parasitária (DOYLE et al., 
2006;    ALVES  et  al.  2007;  BICALHO  et  al.,  2007; 
MEDEIROS et al., 2008; SILVA et al., 2008). 

A  giardíase  murina  é  causada  pelo 

protozoário flagelado Giardia muris, este parasita 
pode 

causar 

manifestações 

intestinais, 

acompanhada  de  alterações  enzimáticas,  o  que 
pode  vir  a  prejudicar  indiretamente  pesquisas 
envolvidas a fenômenos de reposta inflamatória, 
aumentando  a  contagem  de  leucócitos  e 
distúrbios  nas  dosagens  de  citocinas  e  oxido 
nítrico. Além disto, a infecção pode desencadear 
mudanças  ultraestruturais  no  intestino  delgado, 
dificultando  assim  estudos  histológicos  deste 
órgão (ECKMANN et al., 2000; ALVES et al., 2007) 

Por  isso  é  de  extrema  relevância  que  os 

animais  bioexperimentais  estejam  livres  de 
infecções. 

Sendo 

assim, 

tratamento 

medicamentoso  muitas  vezes  é  necessário.  Os 
estudos  voltados  ao  tratamento  de  giardíase 
murina são escassos, e não há uma padronização 
com  relação  aos  métodos  e  medicamentos 
utilizados  na  erradicação  da  Giardia  muris
Portanto, nosso objetivo foi avaliar e comparar a 
taxa 

de 

eficácia 

de 

cinco 

fármacos 

antiparasitários  para  o  tratamento  da  giardíase 
murina. 

 

MATERIAL E MÉTODOS 

Declaração de ética e Animais:  

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de 

Ética  em  Experimentação  Animal  da  Faculdade 
Integrado de Campo Mourão - PR sob o protocolo 
nº 666. 

Foram  utilizados  36  camundongos  Swiss, 

machos,  com  21  dias  de  idade,  naturalmente 
infectados  com  Giardia  muris.  Todos  os  animais 
foram  mantidos  no  Biotério  da  Faculdade 
Integrado  de  Campo  Mourão,  PR.,  em  ambiente 
climatizado,  com  ciclo  claro/escuro  de  12  horas, 
ração e  água  ad libitum  e em caixas plásticas de 
fundo telado, para evitar o contato com as fezes 
e possíveis reinfecções durante o experimento. O 
período  de  aclimatação  de  sete  dias  foi 
respeitado 

previamente 

ao 

início 

do 

experimento. 

Diagnóstico da giardíase murina:  

Para  o  diagnóstico  da  giardíase  murina 

foram  realizados  em  todos  os  animais  exames 
parasitológicos  de  fezes  pela  técnica  de 
centrifugo-flutuação  em  sulfato  de  zinco  (FAUST 
et  al.,  1938).  Como  o  gene  glutamato 
desidrogenase  (GDH)  é  específico  para  Giardia 
duodenalis
,  este  foi  utilizado  para  exclusão  da 
presença  desta  espécie.  Tal  gene  foi  amplificado 
em  reação  de  seminested  PCR  (CACCIÓ  et  al., 
2008).  

 

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Tratamento e avaliação da eficácia:  

Os  camundongos  foram  distribuídos  em 

seis grupos (A, B, C, D, E e F), contendo 6 animais 
cada.  Os  grupos  A,  B,  C  D  e  E  foram  os  grupos 
tratados 

com 

albendazol, 

metronidazol, 

secnidazol, 

febendazol 

nitazoxanida, 

respectivamente. Os fármacos foram diluídas em 
600 mL de água filtrada ficando na concentração 
final de 4 mg/ml que substituíram, por cinco dias, 
a  água  oferecida  no  período  de  aclimatação.  Os 
roedores  do  Grupo  F  não  foram  submetidos  à 
terapia  antiparasitária,  em  função  disso  o  grupo 
foi  classificado  como  controle  para  monitoração 
da  eficácia  e  parâmetros  clínicos  (SILVA  et  al., 
2008). 

Para  avaliar  a  eficácia  do  tratamento 

foram  realizados  dois  exames  parasitológicos  de 
fezes, um antes (dia zero) e outro dez dias após o 
início do tratamento, segundo Silva et al. (2008). 
A  avaliação  da  carga  parasitária  foi  baseada  na 
classificação  de  Pinto  et  al.  (1994),  a  qual  se 
considera  infecção  leve  quando  são  visualizados 
de 1 a 100 cistos/lâmina, moderada de 101 a 300 
cistos/lâmina  e  infecção  elevada  quando  estão 
presentes  mais  de  301  cistos/lâmina.  Para 
realização 

do 

cálculo 

de 

eficácia 

do 

antiparasitário foi utilizada a fórmula descrita por 
Coles et al. (1992): 

%  Eficácia  =  (Média  do  nº  de  cistos  do  grupo 
controle  –  Média  do  nº  de  cistos  do  grupo 
tratado) x 100 / Média do nº  de  cistos do grupo 
controle 

Parâmetros clínico/fisiológicos avaliados:  

Os  parâmetros  clínicos  e  fisiológicos 

foram  avaliados  no  primeiro  e  décimo  dia  de 
experimento.  A temperatura corpórea foi aferida 
com  um  termômetro  digital  de  infravermelho 
posicionado  no  dorso  do  animal  (FALKOWSKI  et 
al., 2012). A escolha por este tipo de instrumento 
torna  a  avaliação  clínica  mais  fácil  e  tem  como 
objetivo  minimizar  o  estresse  sofrido  pelos 
animais  (WARN  et  al.,  2003),  pois  este  pode 
causar  alterações  fisiológicas,  interferindo  nos 

resultados.  Os  animais  foram  pesados  utilizando 
uma balança semianalítica.  

Para a avaliação da ingesta de ração, esta 

foi  pesada  no  primeiro  e  último  dia  de 
experimento,  e  foi  calculada  a  quantidade  em 
gramas/dia  que  cada  camundongo  consumiu, 
sendo considerada uma perda por esfarelamento 
de  10%  para  todos  os  grupos  (CARVALHO  et  al., 
2003).  A  ingesta  do  medicamento  foi  avaliada 
medindo a  quantidade  restante  de  água  ao  final 
do experimento. 

Análise estatística:  

Os valores de média e erro padrão foram 

utilizados  para  comparação  dos  dados  por  meio 
dos  testes  de  ANOVA,  Tukey  e  teste  “t”  de 
student com auxílio do software GraphPad Prism

® 

versão 3.0. 

 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 

No  início  do  experimento,  antes  do 

tratamento, 

todos 

os 

animais 

estavam 

parasitados  por  Giardia  muris,  sendo  a  infecção 
classificada  como  leve,  não  havendo  diferença 
significativa entre os grupos (PINTO et al., 1994). 
A baixa carga parasitária encontrada nas cobaias 
pode  ter  contribuído  para  a  ausência  de  sinais 
clínicos. 

O  consumo  de  albendazol  foi  superior  a 

todos  os  outros  fármacos,  já  os  medicamentos 
nitroimidazólicos, 

como 

secnidazol 

metronidazol  foram  menos  consumidos  (Figura 
1).    Entretanto,  a  diferença  entre  o  consumo  de 
cada grupo não foi significativa (p>0,05). 

O  albendazol,  com  sabor  de  laranja,  por 

exemplo,  foi  o  fármaco  que  teve  o  maior 
consumo 

(sem 

causar 

sobredosagem), 

possivelmente porque o flavorizante mascarou o 
gosto  do  fármaco,  o  que  aumentou  a  aceitação 
pelos  animais.    Já  o  metronidazol  e  o  secnidazol 
por  apresentar  um  gosto  metálico  desagradável 
foram  ingeridos  em  menor  quantidade  pelos 
camundongos.  Em  função  da  rejeição  ao 
metronidazol  pelos  animais,  o  tratamento  do 

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referido  grupo  teve  que  ser  interrompido  no 
terceiro dia de experimento. É relevante ressaltar 
que  não  foram  encontradas  formulações  de 
metronidazol  e  secnidazol  com  flavorizantes, 
justificando seu uso no experimento. 

Após  o  tratamento  medicamentoso 

notou-se  a  diminuição  do  número  de  cistos 

eliminados  para  todos  os  grupos.  Por  meio  da 
fórmula descrita anteriormente, pode-se verificar 
eficácia  de  100%  para  os  fármacos  albendazol, 
febendazol  e  nitazoxanida.  O  metronidazol  e  o 
secnidazol  apresentaram  taxa  de  eficácia  de 
82,9%  e 38%,  respectivamente. A quantidade  de 
cistos antes e após a terapia pode ser visualizada 
na Tabela 1. 

 
 

 

Figura  1.  Consumo  de  medicamentos  (mg/dia)  ao  final  do  experimento  para  cada 

grupo experimental. 

 

Todos 

os 

fármacos 

apresentaram 

redução  ou  erradicação  no  número  de  cistos  de 
Giardia muris, o secnidazol não apresentou 100% 
de eficiência e, a efetividade do metronidazol não 
pode  ser  mensurada  uma  vez  que  o  tratamento 
foi interrompido antes do tempo ideal. Cimerman 
et  al.  (1998),  em  um  estudo  realizado  em 
humanos,  utilizou  metronidazol  na  dose  de  250 
mg duas vezes ao dia durante 5 dias, a eficácia do 
fármaco  na  população  do  estudo  foi  de  91,2%. 
Silva  et  al.  (2008)  utilizando  camundongos  e 
medicação diluída em água, observaram taxas de 
cura  para  secnidazol  de  100%,  seguido  por  97% 
para  o  metronidazol.  Estes  valores  discrepantes 
ao  obtido  no  presente  estudo  podem  ser 
explicados  pela  rejeição  ao  secnidazol  e 
metronidazol,  além  do  que,  para  este  último 
medicamento  o  tratamento  durou  três  dias, 

consequentemente  a  concentração  do  fármaco 
ingerida durante o tratamento foi baixa. 

Em  um  estudo  de  toxicidade  em  ratos, 

foram 

encontrados 

isolados 

considerados 

clinicamente  resistentes  ao  metronidazol,  já  que 
as cepas de Giardia spp. exibiram uma Dose Letal 
50  (DL50)>  120  mg/kg  (LEMÉE  et  al.,  2000).  O 
metronidazol  na  concentração  de  20  mg/mL  e 
secnidazol  a  0,8  mg/mL  administrados  em  dose 
única  apresentaram  porcentagens  de  cura  de 
58,3% e 40%, respectivamente (CRUZ et al.,1997). 
Desta  forma,  é  possível  observar  que  a 
concentração  dos  fármacos  e/ou  tempo  de 
tratamento  incorretos  implicam  no  insucesso 
terapêutico.  

 

 

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Tabela 1. Média do número de cistos para cada grupo experimental antes e após a terapia antiparasitária. 

Grupo/terapia 

Média do nº de cistos ± EPM* 

Antes do tratamento 

Após o tratamento 

Albendazol 

34,0 ± 27,8 

0,0 ± 0,0 

Metronidazol 

3,5 ± 1,9 

0,6 ± 0,6 

Secnidazol 

14,7 ± 10,6 

2,2 ± 1,4 

Febendazol 

4,7 ± 1,8 

0,0 ± 0,0 

Nitazoxanida 

133,2 ± 115,9 

0,0 ± 0,0 

*EPM: Erro Padrão da Média 

 

Os demais fármacos testados no presente 

estudo  apresentaram  100%  de  taxa  de  cura.  A 
eficiência  do  albendazol  contra  Giardia  spp.  foi 
relatada por Cruz et al. (1997)  como superior ao 
metronidazol  para  cobaias,  além  de  apresentar 
ação  contra  helmintos.    A  avaliação  in  vitro 
mostra  que  o  albendazol  pode  ser  de  30  a  50 
vezes mais eficiente que o metronidazol (EDLIND 
et al., 1990). A nitazoxanida, por sua vez, é citada 
como  opção  de  tratamento  em  casos  de 
resistência  a  albendazol  e  metronidazol  na 
giardíase 

em 

humanos 

imunossuprimidos 

(ABBOUD  et  al.,  2001).  Silva  et  al.(2008), 
observaram  taxa  de  cura  em  camundongos 
superior a 98,3% no uso do febendazol. 

Os 

camundongos 

tratados 

com 

metronidazol, 

secnidazol 

febendazol 

consumiram  mais  ração  (12  g/dia),  já  aqueles 
pertencentes 

aos 

grupos 

albendazol 

nitazoxanida  tiveram  um  consumo  de  ração 
semelhante  ao  grupo  controle  (8  g/dia).  A 
diferença  entre  o  consumo  de  ração  pelos 
animais  dos 

diferentes 

grupos 

não 

foi 

estatisticamente significativa (p>0,05).  

Com  relação  ao  peso  dos  animais  não 

houve  diferença  significativa  (p>0,05)  entre  os 
animais  dos  grupos  tratados  e  não  tratados, 
apesar dos animais tratados terem perdido peso 
e  aqueles  não  tratados  (grupo  controle) 
ganharem  peso  ao  final  do  experimento.  A 
contaminação  por  Giardia  spp.  pode  diminuir  a 
absorção  de  água  e  nutrientes,  provocando 
desidratação e perda de peso (SILVA et al., 2008). 
Neste  estudo,  mesmo  os  animais  estando 
curados,  notou-se  uma  diminuição  no  peso  dos 

camundongos 

submetidos 

à 

terapia 

antiparasitária  e  aumento de  peso  naqueles  não 
tratados,  desta  forma  é  possível  inferir  que  a 
infecção  ocasionada  por  Giardia  muris  não  teve 
influência  sobre  a  redução  de  peso  dos  animais 
neste  estudo.  O consumo de  ração  também  não 
alterou  o  peso  dos  animais,  o  que  indica  que  a 
terapia  medicamentosa  possa  ter  interferido  no 
crescimento dos mesmos. 

temperatura 

corporal 

dos 

camundongos  no  primeiro  dia  do  experimento 
encontrava-se  entre  33,9ºC  e  34,7ºC.  Após  o 
tratamento  houve  redução  da  temperatura  em 
todos  os  grupos,  incluindo  o  controle,  sem 
diferença significativa (p>0,05) entre os grupos.  

O  método  proposto  por  Silva  et  al. 

(2008),  e  realizado  neste  estudo,  possui  como 
vantagem a facilidade de tratamento, o manuseio 
dos  animais  é  menor,  o  que  diminui  o  estresse 
sofrido 

pelos 

roedores. 

Além 

disto, 

medicamento diluído e exposto ao consumo dos 
camundongos aumenta a adesão do tratamento. 
A  técnica  de  gavage,  na  qual  o  medicamento  é 
introduzido  no  esôfago  do  animal,  tem  como 
vantagem  a  possibilidade  de  padronização  de 
doses  e  a  diminuição  de  interferências 
experimentais  por  influência  do  gosto  do 
fármaco, entretanto, esta é uma técnica invasiva 
que implica no aumento do estresse sofrido pelos 
animais  e  requer  que  o  pesquisador  tenha  que 
comparecer  ao  biotério  no  mínimo  uma  vez  ao 
dia de acordo com a posologia do medicamento. 

 

CONCLUSÕES

 

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ISSN: 1981-092X

 

 

A  estratégia  de  tratamento  utilizando  os  medicamentos  albendazol,  febendazol  e  nitazoxanida 

diluídos  em  bebedouro,  apresentou  100%  de  eficiência  no  tratamento,  o  que  torna  estes  fármacos  uma 
boa escolha para erradicação de Giardia muris em camundongos. A eficácia do metronidazol não pôde ser 
estimada em função da interrupção da terapia. 

 

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Recebido: 04/03/2015 
Aceito: 03/11/2015 

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