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Campo Digit@l: Rev. Ciências Exatas e da Terra e Ciências Agrárias, v. 11, n. 1, p. 8-15, jan./jul., 2016 

ISSN:1981-092X 

 

Revista Campo Digit@l, v. 11, n. 1, p.8-15, jan./jul., 2016. 

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ISSN: 1981-092X

 

 

Arti

go
 

Co
mpleto

 

 

 

EFEITO DA GELATINA INCOLOR E COMERCIAL ASSOCIADA A EXTRATOS VEGETAIS 

COMO REVESTIMENTO COMESTÍVEL NA PÓS-COLHEITA DO MORANGO 

EFFECT OF GELATINE COLOURLESS AND COMMERCIAL ASSOCIATED WITH PLANT EXTRACTS 

AS EDIBLE COATING IN STRAWBERRY POST-HARVES 

 

Karollyne Portela Korte

1

 

Simone Correia Molina Favarão

1*

 

1

Faculdade Integrado de Campo Mourão, Campo Mourão – PR 

*simone.molina@grupointegrado.br 

 

RESUMO 

Para que a vida de prateleira do morango e outras frutas sejam preservadas pelo maior período possível, 
atualmente são estudadas tecnologias que visam o aumento da durabilidade pós-colheita. O objetivo deste 
trabalho foi avaliar o efeito da gelatina associada a extratos vegetais na vida útil pós-colheita do morango. 
Os  morangos  foram  adquiridos  em  cultivo  comercial,  na  cidade  de  Goioerê/PR.  Foram  aplicados  quatro 
tratamentos seguidos de cinco repetições, sendo: 1º Tratamento controle (só os morangos); 2º Gelatina; 3º 
Gelatina com extrato vegetal de  hortelã e  4º  Gelatina com extrato vegetal de cravo da índia. As análises 
realizadas  foram  de  pH,  acidez  titulável,  sólidos  solúveis,  ratio,  perda  de  massa  e  avaliação  visual.  Os 
resultados  obtidos  demonstram  que  os  biofilmes  de  gelatina  comercial  e  incolor  associada  a  extratos 
vegetais não foram suficientes para prolongar a vida útil do morango. 

Palavra-chave: biofilmes; Fragaria ananassa; vida de prateleira. 

ABSTRACT 

In order to preserve the shelf life of the strawberry and other fruits for as long as possible, technologies are 
presently being studied to increase in post-harvest durability. The aim of this paper was to assess the effect 
of gelatine associated to vegetable extracts in the post-harvest life of strawberries. The strawberries were 
obtained  from  a  commercial  cultivation,  in  the  town  of  Goioerê/PR.  Four  successive  treatments  of  five 
repetitions  were  applied,  being:  1st  Witness  (only  the  strawberries);  2nd  Gelatine;  3rd  Gelatine  with 
peppermint vegetable  extract; 4th Gelatine  with clove  vegetable extract. The analyses made were of the 
pH,  titratableacidity,  soluble  solids,  ratio,  loss  of  mass  and  visual  assessment.  The  results  obtained  show 
that the biofilms were not sufficient to prolong the life of the strawberries. 

Key Words: biofilms; Fragaria ananassa; shelf life.

 

 

INTRODUÇÃO

 

O  morango  (Fragaria  ananassa)  é  uma 

fruta  bastante  consumida  no  Brasil,  rica  em 
frutose,  sacarose  e  glicose,  muito  nutritiva,  é 
apreciada  no mundo  inteiro  por  sua  coloração  e 

aparência.  No  entanto,  devido  sua  elevada  taxa 
respiratória  possui  curta  vida  pós-colheita. 
Durante  a  colheita,  o  transporte  e  a 
comercialização,  os  danos  mecânicos  deixam  a 
fruta  suscetível  ao  ataque  de  microrganismos, 
que causam perdas na qualidade do produto, nas 

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Korte e Favarão, 2016 

 

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características  nutricionais  e  também  perdas 
econômicas (EMBRAPA, 2010). 

Por  ser  uma  fruta  não  climatérica,  ou 

seja,  não  sofrer  drásticas  alterações  em  suas 
características 

organolépticas 

durante 

armazenamento,  o  morango  deve  ser  colhido  já 
maduro,  o  que  diminui  ainda  mais  o  tempo  de 
exposição  para  comercialização  (EMBRAPA, 
2010). Logo após a colheita, se inicia um processo 
acelerado  de  deterioração  e  a  velocidade  de  tal 
processo  é  determinada  pela  combinação  de 
eventos como a temperatura e a umidade do ar, 
considerados  de  extrema  relevância  para  sua 
conservação (MACIEL et al., 2008). 

Para que a vida de prateleira do morango 

e  outras  frutas  sejam  preservadas  pelo  maior 
período  possível,  atualmente  são  estudadas 
tecnologias  como  atmosfera  controlada  e/ou 
modificada, 

tratamentos 

de 

pré-

acondicionamento com dióxido de carbono e uso 
de  irradiações,  que  mantém  em  melhores 
condições  a  qualidade  da  fruta  até  chegar  ao 
consumidor.  Porém,  tais  técnicas  aplicadas 
isoladamente  não  oferecem  total  proteção  ao 
alimento  a  ser  comercializado.  Sendo  assim,  a 
incorporação  de  técnicas  de  conservação  aliada 
às  substâncias  antimicrobianas  de  procedência 
natural,  pode  se  tornar  uma  alternativa  viável  e 
eficaz para o isolamento de morangos (COSTA et 
al., 2009). 

Segundo  Schenato  et  al.  (2010),  a 

utilização  de  revestimentos  comestíveis  em 
produtos  “in  natura”,  se  torna  relevante  para  a 
manutenção  da  qualidade,  sem  adulterar  as 
características sensoriais dos mesmos. A camada 
fina de  produto depositada diretamente sobre  o 
alimento,  conhecida  também  como  biofilme, 
forma uma barreira inerte que impede o contato 
direto  do  produto  com  o meio  externo,  e  tem  a 
função  de  reduzir  a  troca  de  umidade,  oxigênio, 
dióxido  de  carbono,  lipídios,  aromas  e  evitam 
ainda 

proliferação 

de 

microrganismos 

patogênicos. 

Além 

de 

possuir 

algumas 

peculiaridades  como  ser  invisível,  não  alterar  as 
características  organolépticas  da  fruta  e  possuir 

aderência  suficiente  para  não  ser  removido  com 
o manuseio e transporte. 

Segundo Bolzan e Cuquel (2008), entre os 

biopolímeros  que  podem  ser  utilizados  para  a 
elaboração  de  biofilmes  comestíveis  estão  o 
amido,  a  pectina,  a  celulose  e  seus  derivados,  o 
colágeno, a gelatina e as proteínas miofibrilares. 

A  gelatina  no  Brasil  é  produzida  em 

abundância,  a  baixo  custo  e  com  propriedades 
funcionais  adequadas  para  a  fabricação  de 
biofilmes  (CARVALHO,  1997).  Segundo  D’avila  e 
Barreto  (2010),  os  biofilmes  de  gelatina 
originaram  uma  barreira  significativa  à  perda  de 
água  dos  frutos  de  mirtilo,  agindo  na  contenção 
da  perda  de  massa  do  fruto  se  comparado  à 
testemunha. 

As  substâncias  antimicrobianas,  como  os 

extratos  vegetais,  tem  atuação  sobre  fungos 
fitopatogênicos, 

frequentemente 

obtêm 

sucesso  nas  pesquisas  (SILVA  et  al.,  2012). 
Segundo  Ferreira  e  José  (2013) o  uso  do  extrato 
vegetal  vem  sendo  realizado  para  controle  de 
pragas e doenças de plantas representando uma 
alternativa viável. 

De acordo com Ramos e Andreani Junior 

(2013)  o  controle  de  doenças  pós-colheita  de 
frutíferas  tem  ocorrido  satisfatoriamente  com  a 
utilização de extratos aquosos obtidos através de 
espécies vegetais. 

No caso do extrato de cravo da índia, ele 

tem  a  presença  de  egenol,  um  componente  que 
pode  ser  considerado  tóxico,  tanto  no  extrato 
aquoso quanto no óleo essencial, que permite ao 
extrato 

eficiente 

combate 

aos 

fungos 

(RANASINGHE et al., 2002 citado por VENTUROSO 
et  al., 2011).  O extrato  de  hortelã  apresenta  em 
maior  quantidade  a  substância  conhecida  como 
mentol, 

também 

possui 

um 

grande 

polimorfismo químico (SANTOS et al., 2011). 

Buscando  novas  alternativas,  o  objetivo 

deste  trabalho  foi  avaliar  o  efeito  da  gelatina 
associada  a  extratos  vegetais  na  vida  útil  pós-
colheita do morango.

 

 

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MATERIAL E MÉTODOS 

O  experimento  foi  realizado  no  mês  de 

outubro de 2014. Os morangos foram adquiridos 
em cultivo comercial, na cidade de Goioerê/PR. A 
uniformidade  dos  frutos  quanto  à  aparência, 
coloração, tamanho e maturação, são fatores que 
podem influenciar os resultados, sendo este, um 
critério de  seleção para sua escolha realizada de 
maneira  comparativa  e  visual.  O  transporte  foi 
realizado em uma caixa de isopor, para não expor 
os  frutos  a  fatores  externos,  e  conduzidos  ao 
laboratório onde foram higienizados por meio da 
imersão em solução de hipoclorito de sódio a 1% 
e  detergente  neutro  um  a  um,  posteriormente 
foram  lavados  com  água  deionizada  e  deixados 
secar naturalmente. 

A gelatina comestível incolor, sem sabor, 

adquirida em comércio local, foi diluída em cinco 
colheres  de  sopa  de  água  fria,  aguardando  por 
alguns  minutos  até  que  a  gelatina  absorvesse  a 
água,  e  em  seguida  aquecendo  em  fogo  baixo 
para que se diluísse até ficar pronta para uso. 

Os extratos foram extraídos das folhas de 

hortelã  (Mentha  piperita  L.)  e  dos  botões  florais 
do  cravo  da  índia  (Syzygium  aromaticum  L.). 
Cerca de 80 gramas do material foi acrescentado 
a  200  ml  de  água  fervente  permanecendo  em 
recipiente fechado para abafa-lo por 40 minutos. 
Após o preparo, os extratos foram acrescentados 
no  preparo  da  gelatina  dos  respectivos 
tratamentos. 

Foram  aplicados  quatro  tratamentos 

seguidos de cinco repetições, sendo: Tratamento 
1: Testemunha (morangos in natura); Tratamento 
2: morango + gelatina; Tratamentos 3: morango + 
gelatina  +  extrato  de  hortelã  e  Tratamento    4: 
morango + gelatina + extrato de cravo da índia. 

O  delineamento  experimental  utilizado 

foi  o  inteiramente  casualizado.  Cada  tratamento 
foi  composto  por  300  gramas  de  morangos, 
colocados  em  bandejas  de  plástico  com 
pequenos  furos  (para  circulação  de  ar), 
identificadas  de  acordo  com  seu  tratamento  e 
repetição.  Após  a  aplicação  dos  tratamentos  os 

morangos foram acondicionados em refrigeração 
com temperaturas entre 8º e 10ºC. 

No  primeiro  dia,  durante a  instalação  do 

experimento  e  sucessivamente  a  cada  três  dias 
foram  realizadas  as  análises  físico-químicas,  a 
pesagem  e  avaliação  de  acordo  com  o  aspecto 
visual, atribuindo notas segundo Cunha Junior et 
al. (2012) da seguinte forma: 

1  –  Péssimo  (fruto  murcho,  com  fungos  e 
escurecido); 

2 – Ruim (fruto murcho e com fungos); 

3 – Regular (fruto murcho e sem fungos); 

4 – Bom (fruto sem fungos e turgido); 

5  –  Ótimo  (fruto  turgido,  sem  fungos  e  cor 
normal). 

Para  realização  das  análises  físico-

químicas  retirou-se  o  suco  presente  na  polpa  da 
fruta,  usando  dois  morangos  de  cada  bandeja, 
macerando-os em uma peneira até saída total do 
suco. 

A determinação de sólidos solúveis totais 

(SST)  foi  feita  com  auxilio  de  um  refratômetro 
digital portátil (marca Atago, modelo Pocket pal-
1), utilizando o suco e obtendo a leitura expressa 
em °Brix. 

O  pH  foi  determinado  pelo  processo 

potenciométrico,  leitura  direta  em  pHmetro 
PG1800  Gehaka,  com  aparelho  calibrado  por 
meio das soluções tampão de pH 4,0 e 7,0 e em 
seguida,  leitura  com  imersão  do  eletrodo  no 
béquer contendo a amostra do suco. 

A avaliação de acidez total titulável (ATT) 

presente  nas  frutas  “in  natura”  foi  quantificada 
por titulação. Foram utilizados 12 ml de amostra, 
adicionando  duas  gotas  da  solução  de 
fenolftaleína  a  1%  e  titulando-se  com  a  solução 
de hidróxido de sódio (NaOH) 0,1 M padronizado, 
até  o  aparecimento  de  coloração  rósea 
persistente  por  aproximadamente  30  segundos. 
Os  dados  obtidos  foram  calculados  de  acordo 
com  a  Fórmula  1  e  os  resultados  expressos  em 
porcentagem  (%)  de  ácido  cítrico,  segundo 

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normas  analíticas  do  Instituto  Adolfo  Lutz  (IAL, 
2005). 

Fórmula 1:  ATT (% ácido cítrico) = (V(mL) x N x f x 
Eq. Ac.) / 10 x Va(mL) 

Em que: 

V= volume de NaOH gasto (mL); 

N = normalidade da solução de NaOH utilizada = 
0,1M; 

f = fator de correção obtido para padronização do 
NaOH = 1,00; 

Eq. Ac. = equivalente ácido, que para o morango 
é 64,04; 

Va= volume da amostra em mL. 

Para  a  avaliação  de  perda  de  massa,  as 

amostras  não  destrutivas  foram  pesadas  em 
balança  semianalítica  (Bel  engennering  Mark 
2200),  anotando  a  diferença  entre  peso  inicial  e 
final em todo o período de conservação avaliado, 
expressando-se  os  resultados  em  porcentagem, 
conforme a Fórmula 2. 

Fórmula 2: Perda de massa (%) = (Massa inicial – 
Massa Final) x 100 / Massa inicial. 

Para  o  ratio,  utilizou-se  a  relação  entre 

sólidos  solúveis  totais/acidez  total  titulável 
(SST/ATT),  que  representa  a  palatabilidade  do 
produto,  ou  seja,  o  equilíbrio  doce/ácido, 
apresentando 

relevância 

fundamental 

na 

formação do sabor. 

Este  processo  foi  repetido  até  o 

aparecimento de fungos, seguido da identificação 
do fungo e posterior descarte da bandeja. 

Os  resultados  de  pH,  acidez  titulável, 

sólidos  solúveis  e  ratio  foram  submetidos  a 
análise de variância e as médias comparadas pelo 
teste  de  Scott-knot  a  5%  de  probabilidade,  a 
perda de massa foi apresentada em porcentagem 
e a avaliação visual através de notas. 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Na Tabela 1 estão apresentados os dados 

referentes a pH e acidez titulável em função dos 
diferentes  tratamentos  aplicados  e  o  período  de 
avaliação realizada. 

 

 

Tabela 1. Resultados das variáveis de pH e acidez titulável obtidos no teste de média comparativa entre os 

diferentes  revestimentos  comestíveis  no  morango  em  duas  avaliações  realizadas  em  Campo 
Mourão/PR, 2014. 

Tratamentos 

pH 

Acidez titulável 

1ª Av. 

2ª. Av. 

3ª. Av. 

4ª. Av. 

1-Testemunha 

3,34 b 

3,24 b 

0,42 a 

0,44 a 

2-Gelatina 

3,51 a 

3,34 b 

0,43 a 

0,43 a 

3-Gelatina e ext. hortelã 

3,58 a 

3,43 a 

0,48 a 

0,37 b 

4-Gelatina e ext. cravo da índia 

3,55 a 

3,45 a 

0,48 a 

0,36 b 

CV % 

2,74 

2,29 

21,58 

12,28 

* Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade 
de erro.   

 

De  acordo  com  os  dados  obtidos,  em 

relação  ao  pH  na  primeira  avaliação,  apenas  a 
testemunha apresentou valor inferior aos demais 
tratamentos,  mantendo  o  mesmo  padrão 
conjuntamente com o tratamento 2, na segunda 

avaliação,  em  relação  aos  tratamentos  3  e  4. 
Campos 

(2008) 

estudando 

revestimentos 

biodegradáveis  na  conservação  do  morango 
orgânico,  não  observou  perdas  significativas  em 
valores  de  pH.  Tamura  (2012)  ao  avaliar  uvas 

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minimamente  processadas  revestidas  com 
quitosana,  indicou  que  a  aplicação  da  película 
proporciona aumento do pH. 

A  acidez  titulável  apresentou  resultados 

iguais

 

para  todos  os  tratamentos  na  primeira 

avaliação,  enquanto  na  segunda  avaliação,  os 
tratamentos  1  e  2  se  diferenciaram  dos  demais 
com  maiores  valores.  Em  estudo  a  base  de 
quitosana  como  revestimento  comestível  no 
morango,  verificou-se  que  a  acidez  titulável  dos 
frutos que receberam as coberturas comestíveis, 
foi estatisticamente menor que  a dos frutos que 
não foram cobertos (COSTA et al., 2009). 

As  células  possuem  ácidos  que  quando 

associados  a  sais  de  potássio,  formam  um 

sistema  tampão,  que  viabiliza  regulação  na 
atividade  enzimática.  Esse  sistema,  permite  que 
em  alguns  casos,  o  suco  da  fruta  possibilite 
ocorrência  da  variação  na  acidez  titulável  sem 
variação no pH. A acidez é rapidamente perdida, 
quando as frutas começam a amadurecer, porém, 
pode-se  também  ter  em  alguns  casos  um 
pequeno  aumento  nos  valores  de  acidez  com  o 
avanço  da  maturação  (CHITARRA;  CHITARRA, 
2005). 

Mostra-se  na  Tabela  2,  as  médias 

encontradas para o teste de sólidos solúveis e os 
valores calculados para ratio (SST/ATT). 

 

 

 

Tabela 2. Variável de ratio (SST/ATT) apresentada de acordo com valores obtidos por fórmula e médias de 

sólidos solúveis em Campo Mourão/PR, 2014. 

Tratamentos 

Sólidos solúveis 

Ratio 

1ª Av. 

2ª. Av. 

3ª. Av. 

4ª. Av. 

1-Testemunha 

4,96 b 

4,68 a 

12,60 a 

10,56 a 

2-Gelatina 

5,36 a 

4,60 a 

12,96 a 

10,74 a 

3-Gelatina e ext. hortelã 

5,70 a 

4,42 a 

12,03 a 

12,16 a 

4-Gelatina e ext. cravo da índia 

5,14 b 

4,64 a 

10,86 a 

12,65 a 

CV % 

5,25 

8,97 

21,91 

14,79 

* Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade 
de erro. 

 

Os  valores  de  sólidos  solúveis,  que 

representa a quantidade de sólidos presentes na 
fruta sendo em sua maioria açucares, na primeira 
avaliação  mostraram  que  os  tratamentos  2  e  3 
obtiveram 

melhores 

respostas 

quando 

comparados  ao  1  e  4,  já  na  segunda  avaliação 
não  houve  diferença  significativa  entre  todos  os 
tratamentos,  enquanto  o  ratio  não  apresentou 
diferença  nas  duas  avaliações  realizadas. 
Resultados  similares  foram  apresentados  por 
Basaglia  e  Favarão  (2013),  que  utilizaram  a 
quitosana  como  revestimento  comestível  no 
morango,  não  obtendo  diferença  significativa 
para as avaliações de ratio e sólidos solúveis.  

Pode-se verificar ainda, segundo Chitarra 

e  Chitarra  (2005),  que  a  avaliação  de  ratio  é 
muito  usada  para  verificação  do  sabor,  pois 
apresenta o equilíbrio da acidez e dos açucares, e 
ainda  especifica  que  o  teor  mínimo  de  sólidos 
deve ser 7% e teor máximo de acidez 0,8% para o 
morango,  no  caso  deste  trabalho  todos  os 
tratamentos  estão  fora  do  padrão  para  sólidos 
solúveis. 

A Tabela 3 demonstra a média obtida na 

perda  de  massa  e  as  notas  das  avaliações  de 
aspecto visual. 

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Korte e Favarão, 2016 

 

Revista Campo Digit@l, v. 11, n. 1, p.8-15, jan./jul., 2016. 

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ISSN: 1981-092X

 

 

13 

 

Tabela 3. Valores  em porcentagem de  perda de  massa obtidos através de  cálculo, e  notas  de  1 a 5 para 

avaliar o aspecto visual identificado nos tratamentos em Campo Mourão/PR, 2014. 

Tratamentos 

Perda de massa 

Aspecto visual 

1ª. Av. 

2ª. Av. 

3ª. Av. 

1-Testemunha 

29,37 

2-Gelatina 

28,35 

3-Gelatina e ext. hortelã 

30,70 

4-Gelatina e ext. cravo da índia 

34,89 

* Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott  a 5% de probabilidade 
de erro.   

De 

acordo 

com 

os 

resultados 

apresentados, pode-se verificar que em todos os 
tratamentos  obteve-se  expressiva  perda  de 
massa, e que os tratamentos 3 e 4 foram os que 
tiveram maiores valores. Segundo Cardoso (2012) 
que avaliou a qualidade do morango pós-colheita 
tratado  com  cloreto  de  cálcio  associado  a 
hipoclorito  de  sódio,  a  perda  de  massa  (%)  é 
crescente 

ao 

longo 

do 

armazenamento, 

tornando-se  independente  dos  tratamentos 
aplicados  e  das  condições  de  temperatura  e  de 
umidade  relativa  do  ar.  Silva  et  al.  (2011) 
trabalhando  com  biofilmes  de  resíduos  de 
maracujá amarelo aplicados na maçã, verificaram 
que  os  tratamentos  não  evitaram  a  perda  de 
massa,  mas  apresentaram  valores  menores 
quando  comparados  a  testemunha,  neste 
trabalho  também  houve  a  perda,  mas  com 
maiores  valores  para  os  tratamentos  com 
biofilmes de gelatina associada aos extratos. 

Quanto  menor  for  o  manuseio  pós-

colheita  que  os  frutos  receberem,  menor  deve 
ser sua perda de massa, também considerando o 
fato do uso de revestimentos, já que a perda de 
massa ocorre principalmente pela perda de vapor 
de  água  dos  frutos  para  o  ambiente  (CAMPOS, 
2008). 

Em relação ao aspecto visual, manteve-

se  padrão  nas  duas  primeiras  avaliações, 
apresentando  apenas  na  terceira  avaliação  a 
presença de fungos (Botrytis cinerea) e diferença 
visual  entre  os  tratamentos  1  e  2  dos  demais.

 

Diferente  de  Basaglia  e  Favarão  (2013)  que 
afirmaram  que  a  testemunha  apresentou  maior 
perda  da  qualidade  em  relação  à  avaliação  de 
aparência dos frutos. 

 

CONCLUSÕES 

De  acordo  com  os  resultados  obtidos, 

conclui-se  que  os  tratamentos  revestidos  de 
gelatina com extrato de hortelã e de gelatina com 
extrato  de  cravo  da  índia,  não  foram  eficientes 
para  aumentar  a  vida  útil  do  morango  e  ainda 
apresentaram  maiores  perdas  de  massa  e  perda 
na qualidade visual. 

 

 

 

 

 

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Revista Campo Digit@l, v. 11, n. 1, p.8-15, jan./jul., 2016. 

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Recebido: 26/03/2015 
Aceito: 03/11/2015 

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