Utilização de métodos auxiliares no diagnóstico da tuberculose bovina

T. G. Guimarães, A. J. Teles, T. S. Coelho, C. B. Brunner, L. F. D. Schuch

Resumo


A tuberculose bovina (TB), doença infectocontagiosa com grande importância na saúde pública, é uma zoonose em que o diagnóstico e o conhecimento de sua epidemiologia são fundamentais para a orientação de medidas destinadas ao seu controle e prevenção. O trabalho investigou a possibilidade da utilização de métodos auxiliares no diagnóstico da TB. Foram realizadas cultura microbiológica, caracterização histopatológica e identificação molecular de Mycobacterium bovis em 55 bovinos reagentes ao teste tuberculínico e encaminhados ao abate sanitário. Os tecidos com lesão macroscópica compatível com TB foram coletados. Nos casos de não serem identificadas alterações macroscópicas, foram coletados os linfonodos retrofaríngeo e traqueobrônquico. As amostras foram divididas em duas frações, das quais uma foi armazenada em um frasco contendo formol tamponado a 10%, para realização de exame histopatológico, e a outra congelada a -20ºC. As frações de tecido destinadas ao exame histológico foram processadas no laboratório de patologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). As amostras de tecidos destinadas ao exame bacteriológico foram manipuladas de acordo com Manual de Bacteriologia da Tuberculose e encaminhadas ao Laboratório de Micobactérias da Fundação Universidade de Rio Grande. As amostras foram coradas pelo método de Ziehl-Neelsen (ZN) para a evidenciação da presença de bacilos álcool-ácido-resistentes (BAAR) sob microscopia comum, de acordo com as recomendações do Manual Nacional de Vigilância Laboratorial da Tuberculose. Em seguida foram submetidas à descontaminação pelo método de Petroff adaptado e a semeadura em meio Stonebrink e 7H9 e incubadas em estufa a 37ºC. O diagnóstico da identificação molecular foi realizado a partir de DNA extraído de colônias isoladas de M. bovis utilizando-se a reação em cadeia pela polimerase (PCR). Dentre o material coletado, em 63,64% (35/55) foram observadas lesões sugestivas de TB, caracterizadas como caseosas. No exame histológico, 47,27% (26/55) foram consideradas positivas na coloração HE, e 29,1% (16/55) foram identificadas BAAR na coloração de ZN. Houve crescimento de colônias características de M. bovis em 32,73% (18/55) das amostras. A PCR a partir de DNA extraído de colônias apresentou 29,1% (16/55) das amostras positivas. Mesmo não sendo possível diferenciar as lesões macroscópicas sugestivas de TB de outras infecções, o exame macroscópico nos abatedouros é decisivo para o diagnóstico de TB, mas somente com o auxílio de métodos diagnósticos laboratoriais é que o diagnóstico é definitivo e pode ser firmado, fortalecendo assim, a sua investigação epidemiológica. A genotipagem das micobactérias isoladas ainda está sendo realizada. 


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