Levantamento de zoonoses em comunidades carentes circunvizinhas à Universidade Federal Rural De Pernambuco, Recife, PE

L. S. Barbieri, M. H. B. Tavares, T. Oliveira dos Santos, R. T. D. Moura

Resumo


A falta de conhecimento da relação entre a saúde animal e a saúde pública em populações de baixa renda leva à manutenção de hábitos inadequados de manejo dos animais domésticos. A implementação de programas e ações socioeducativas, com jovens e adultos, sobre saúde animal e guarda responsável é uma atividade de capital importância, pois, na atualidade, o convívio de animais com os seres humanos têm se intensificado. A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) possui em seu entorno comunidades com população de baixa renda, com pouca estrutura de lazer e saneamento básico. Parte considerável dos abandonos de cães e gatos no campus universitário é proveniente dessas comunidades. O trabalho levantou os dados sanitários, de manejo, bem-estar e controle populacional de cães e gatos, e os relacionou com as principais zoonoses que ocorrem nas comunidades circunvizinhas à UFRPE. O projeto de extensão universitária “Veterinária na Comunidade” (VetCom) promoveu atendimento clínico veterinário gratuito e orientação na profilaxia de zoonoses entre 2014 e 2015 nessas comunidades. Durante essas atividades, foram coletados dados de manejo dos animais atendidos. Os resultados obtidos revelaram a existência de 69% de cães e gatos domiciliados, dos quais 31% tinham livre acesso às ruas sem supervisão dos tutores, podendo estabelecer contato com outros animais e frequentar locais sem saneamento básico e, desse modo, ao retornarem para as suas residências, carregar diversos microrganismos patógenos para os seus tutores. Apenas 33% dos cães e gatos receberam vacinação obtidos indicaram a ausência de consciência dos tutores acerca do manejo sanitário dos seus animais de companhia e o desconhecimento da interação existente entre a saúde animal e a humana. Também foi verificado baixo índice de controle populacional de cães e gatos, pois apenas 20% dos animais eram esterilizados. Dessa forma, na região investigada há um grande número de crias indesejadas que são abandonadas e que se tornam errantes, aumentando a incidência de doenças – incluindo as zoonoses – e expondo a comunidade a acidentes automobilísticos e por mordeduras. Durante os dois anos de atuação do projeto, foram assistidos animais portadores de leptospirose (2%), endo/ectoparasitoses (98%), micoses superficiais (47%), sarnas (12%), esporotricose (4%), pneumonias (13%), dirofilariose (1%), enterites sépticas (20%) e leishmaniose (1%). A relação da saúde pública com o manejo dos animais domésticos e do ambiente precisa ser explicada à população por meio de práticas educativas para guarda responsável e para o adequado manejo sanitário dos animais de companhia. Aliado a isso é necessário um trabalho de subsídio para o controle populacional por meio de esterilização cirúrgica no sentido de reduzir a população de cães e gatos não castrados. O projeto “Veterinária na Comunidade” contribuiu com atividades socioeducativas, melhorando a qualidade de vida e o bem- -estar animal nessas comunidades e também proporcionou um ambiente de aprendizado e de treinamento prático para graduandos e profissionais da Medicina Veterinária. 


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