Perfil comportamental do gato doméstico (Felis silvestris catus) sem raça definida criado em abrigo na relação social com o ser humano

R. T. D. Moura, A. L. T. Cunha, T. Oliveira dos Santos, M. H. B. Tavares, L. S. Barbieri, M. C. O. C. Coelho

Resumo


O laço que uniu o gato ao ser humano se deve principalmente à sua natureza predatória. Sugere-se que o gato tenha se autodomesticado quando chegou, colonizando abrigos humanos em busca de roedores na época do surgimento das sociedades agrícolas – de onze a dez mil anos atrás. Por serem ainda pouco compreendidos, principalmente em seu comportamento reprodutivo e social, têm sido vítimas de abandonos e maus-tratos em centros urbanos. Admirados, adorados ou odiados pelas pessoas, hoje são realidade no cotidiano de lares modernos – mais como companhia e terapia do que como predador. Essa convivência fez ressurgir uma relação antiga, que apesar de não tão bem compreendida tem beneficiado ambas as partes. Buscando entender melhor a relação social do gato doméstico com ser humano, este trabalho estudou uma população de gatos (Felis s. catus) sem raça definida (263 animais) criados em abrigos (24) na região metropolitana do Recife, com idade e sexo variados, identificando traços comportamentais desses animais para a construção do “perfil comportamental do gato de abrigo” na relação social com pessoas conhecidas (pc) e desconhecidas (pd). A escolha de abrigos se deu por serem os locais de maior procura por adoções de gatos e por participarem de feiras de adoções periódicas por toda a cidade. Os resultados mostraram os traços “sociável” com 81,75% para pc e 72,62% para pd; “curioso” com 81,15% para pc e 81,54% para pd; “aprecia atenção” com 81,75% para pc e 69,20% para pd; e “se esfregar e carícias” com 81,0%; “gosta de colo e/ou braço” com 65,63%; “brincalhão” com 60,84% para pc e 56,87% para pd; “vocalização” com 26,24% para pc e 20,55% para pd; “agressividade” com 2,28% para pc e 2,69% para pd; e “insegurança” com 4,94% para pc e 17,87% para pd. Os resultados obtidos revelaram que o perfil comportamental de gatos de abrigo na relação social com seres humanos conhecidos e desconhecidos refere-se a animais muito sociais, dóceis e curiosos, que gostam muito de se esfregar em pessoas e de receber sua atenção, que aceitam colo e/ou braço, brincalhões, pouco vocais e raramente inseguros. Dessa forma, ficou comprovado que na população avaliada os gatos apresentam um perfil comportamental adequado ao convívio social com humanos, estando aptos aos programas de adoção animal. 


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