Recomendações profiláticas para um abrigo de animais diante de um surto de dermatofitose

A. J. Teles, A. L. Cabana, C. L. Santos, T. P. Dias, R. Osório de Faria, M. C. A. Meireles

Resumo


A dermatofitose é uma micose zoonótica com elevada prevalência e de grande importância para a saúde pública. Os felinos podem exercer importante papel como reservatórios do fungo na condição de portadores assintomáticos. A infecção ocorre pelo contato direto com indivíduos doentes ou assintomáticos e por meio de fômites. Trata-se de uma doença de difícil controle, e a pesquisa relata as recomendações profiláticas implantadas em um abrigo de animais que apresentou um surto da doença. O trabalho foi realizado em um abrigo de cães e gatos abandonados, na cidade de Viamão, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. O local abrigava aproximadamente 50 gatos, que apresentavam sintomatologia compatível com dermatofitose. A partir da confirmação do surto, com o cultivo e o isolamento do fungo, foram estabelecidas as recomendações para o tratamento dos animais enfermos, bem como o controle da disseminação da infecção para animais sadios e para seus tratadores, a fim de evitar transmissão zoonótica da micose. A primeira medida preconizada foi a higienização dos gatis, com a remoção de todos os animais, seguida da limpeza e da desinfecção, com a aplicação de hipoclorito 2,5%, cuja aplicação, com duração de 5 minutos antes do enxágue, incluiu todos os locais onde os gatos permaneciam, bem como pisos e paredes, e cuja frequência estabelecida para desinfecção foi a semanal. Essa etapa é de extrema importância para o sucesso do controle da dermatofitose, pois interrompe o ciclo do fungo no ambiente. É essencial que os animais sejam retirados do local antes da aplicação do desinfetante, para evitar a sua intoxicação. O tratamento tópico foi indicado para todos os gatos, sadios e enfermos, na forma de banhos semanais com xampus a base de clorexidina 3%, cetoconazol, clotrimazol ou miconazol. A associação de terapia antifúngica sistêmica foi indicada nos casos em que os animais apresentam lesões mais severas, com o mesmo princípio ativo do tratamento tópico. Foi preconizado que todos os animais que tiveram contato com o fungo deveriam receber o tratamento pois muitos poderiam ser portadores assintomáticos. Aconselhou-se a tosa dos felinos para melhor ação do medicamento e sucesso do tratamento. A duração da terapia preconizada é de no mínimo 30 dias, variando de acordo com a resposta individual do animal. A existência de animais portadores assintomáticos e a permanência de artroconídios fúngicos viáveis por até 18 meses no ambiente dificultam o controle da dermatofitose. Aliado a esses fatores, a aglomeração de animais pode contribuir negativamente para a eliminação da doença. Aconselhou-se ainda que os tratadores adotassem cuidados básicos para manusear os felinos, preconizando o uso de luvas e a desinfecção das mãos, a fim de evitar sua contaminação, pois os dermatófitos são espécies com elevado potencial zoonótico. A percentagem de tratadores infectados com dermatofitose é muito elevada, podendo atingir até 90%. A infecção dos seres humanos ocorre por contato direto ou indireto com animais infectados e pelo contato com objetos contaminados com pelagem e descamações cutâneas dos animais. Trata-se de uma enfermidade com necessidade de rígido controle e profilaxia. Dessa forma, ressalta-se a importância do médico-veterinário na sanidade animal e na saúde humana, visando a evitar agravos de maior impacto à saúde pública. 


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