Similaridades no diagnóstico de abuso infantil e animal

T. M. Ivanieviz, F. Rocha, R. C. M. Garcia

Resumo


A violência doméstica é uma questão de saúde pública na qual humanos e animais de estimação estão envolvidos. A definição da “Síndrome do Animal Espancado” teve como base a “Síndrome da Criança Espancada”, em que são observadas similaridades nos sinais clínicos apresentados pelas crianças e pelos animais. Objetivando-se comparar os achados médicos e veterinários para o diagnóstico de abuso em crianças e em animais, foi efetuada uma revisão bibliográfica na base de dados SciELO on-line com os seguintes termos: “criança vitimizada”, “abuso infantil”, “abuso animal”, “violência doméstica” e “crueldade”. Dos treze artigos encontrados, nove foram incluídos nessa pesquisa, e que apresentavam no conteúdo: o perfil do agressor e das vítimas, os sinais clínicos e os fatores de risco envolvidos para que ocorresse o abuso. A classificação de abuso animal é a mesma utilizada para o abuso infantil e consiste em quatro tipos: físico, sexual, emocional e negligência. Os fatores de risco infantis incluem: crianças não planejadas; recém-nascidos prematuros ou portadores de anomalias congênitas, deficiência física ou mental; meninos mais que meninas; crianças adotadas ou sob guarda. Os fatores de risco para os animais incluem: animais com idade inferior a dois anos de idade ou idosos, machos caninos (mais que fêmeas), raças Pit bull, Rottweiler e Bull terrier. O diagnóstico de abuso infantil e animal pode ser efetuado como o emprego de anamnese, exame físico e exames complementares. Na anamnese de ambos, a história contada pelos responsáveis não é compatível com as lesões apresentadas nos animais e nas crianças. Na criança os sinais de alerta são medo, apatia e tristeza, associados à desnutrição, atraso no desenvolvimento, lesões em crânio e face, reforçados quando existem arranhões e queimaduras. Nos animais é observado o comportamento de medo quando ficam próximo do agressor e melhora quando está hospitalizado e distante dele. Sinais clínicos encontrados tanto em crianças como em animais são lesões múltiplas e em diferentes estágios de cicatrização e o atraso entre a ocorrência da lesão e a procura por atendimento médico. Assim como os pediatras, os médicos-veterinários também têm dificuldade para identificar injúrias em seus pacientes, pois eles não relatam os traumas sofridos e, muitas vezes, a própria família está inserida nesse contexto de violência. Médicos-veterinários e pediatras têm papel fundamental na prevenção da violência doméstica e na proteção das crianças e dos animais. 


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