Sobre os cães nas ruas de uma amostra de municípios do estado do Paraná, Brasil: dados preliminares

P. M. C. Paula, J. T. Almeida, C. F. M. Molento

Resumo


A convivência próxima entre cães e humanos culminou com a presença de animais nas ruas em diversas sociedades atuais, e tal situação gera problemas de bem-estar dos cães e também de saúde pública. Dessa forma, o manejo populacional de cães urbanos é uma necessidade imperiosa. O trabalho foi delineado para investigar o nível de conhecimento sobre o manejo populacional de cães dos profissionais que trabalham na área de saúde e meio ambiente em uma amostra de municípios do Estado do Paraná, Brasil. Um questionário aprovado no CEP/UFPR sob nº 1186072 foi disponibilizado on-line às Secretarias Municipais do Meio Ambiente e da Saúde dos 399 municípios do Estado do Paraná, no período de outubro de 2015 até junho de 2016, contendo perguntas com respostas objetivas e discursivas sobre a estrutura dos serviços das secretarias, dados cadastrais do município, dados estatísticos referentes a denúncias, manejo, custos, posicionamento da secretaria perante o manejo de cães na rua e posicionamentos pessoais do respondente. Os municípios foram divididos de acordo com classificação do IBGE quanto ao número de habitantes, sendo 367 (91,9%) municípios de pequeno porte (até 50.000 habitantes), 30 (7,5%) de médio porte (entre 50.001 a 500.000 habitantes), e 2 (0,5%) de grande porte (mais de 500.000 habitantes). Como resultados preliminares foi observado que até o final de março de 2016 foram recebidos 75 questionários válidos das secretarias, de 55 respondentes vinculados à Secretaria de Meio Ambiente e 20 respondentes vinculados à Secretaria de Saúde; 4 municípios tiveram respostas de ambas as Secretarias, assim totalizando 17,8% (71/399) municípios respondentes. Das respostas, 16,6% (61/367) são provenientes de municípios de pequeno porte, 23,3% (7/30) de médio porte, e 100,0% (2/2) de grande porte. Foi constatado que 28,0% (21/75) dos respondentes tinham uma estimativa do tamanho da população canina do munícipio, porém apenas 18 informaram a estimativa adotada. Destes, 33,3% (6/18) relataram uma razão cão/habitante: ser humano de até 1:3; 22,2% (4/18) de 1:4, sendo que dois respondentes estimavam a população baseados em literatura; 27,7% (5/18) a razão de 1:5; e 5,5% (1/18) estimavam razões maiores, de 1:6, 1:9 e 1:22. Quanto aos recursos materiais de veículo, equipamentos, insumos e infraestrutura e recursos humanos disponibilizados para a secretaria trabalhar com cães de rua, 50,6% (38/75) responderam não ter nenhum recurso material ou humano, e 25,3% (19/75) que tinham pelo menos recursos humanos. Dos respondentes, 65,3% (49/75) tinham conhecimento da existência de cães nas ruas alimentados pela população; porém, destes apenas 12,2% (6/49) afirmaram que a secretaria era a favor da prática de fornecer alimentos aos os cães de rua. Ainda, 69,3% (34/49) preferiram não tomar um posicionamento sobre alimentar cães nas ruas. Sobre o posicionamento pessoal do respondente quanto à alimentação de cães nas ruas, 30,6% (23/75) dos respondentes não tinham um posicionamento, 34,6% (26/75) eram a favor, e 24,0% (18/75) eram contra. Dentre as dificuldades observadas nos municípios, infraestrutura precária, captação de verbas e questões políticas parecem estar entre as maiores limitações para a realização de alguma estratégia destinada a favorecer o manejo populacional de cães. De uma forma preliminar, pode-se concluir que é necessário um melhor conhecimento da população canina nos municípios e uma maior ênfase para esse assunto no âmbito das Secretarias Municipais de Saúde e de Meio Ambiente do Estado do Paraná, Brasil. 


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