Perfil epidemiológico dos atendimentos antirrábicos humanos no município de Eldorado do Sul, estado do Rio Grande do Sul, Brasil

D. M. Garcia, A. B. Lemos, A. D. Berwanger, R. G. Alves

Resumo


A raiva é uma das principais zoonoses que acompanham a trajetória humana, e seu agente etiológico pertence à família Rhabdoviridae e ao gênero Lyssavirus. O hospedeiro e reservatório do vírus da raiva é o animal infectado que o transmite aos humanos, por meio de mordedura, arranhadura e ou lambedura. Recentemente houve a intensificação das ações de Vigilância Ambiental e Epidemiológica para o controle e profilaxia da raiva no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em virtude de diversos focos de raiva herbívora e do diagnóstico de raiva em felinos, o que motiva um melhor conhecimento sobre atendimentos antirrábicos realizados em humanos. O trabalho foi delineado para conhecer as principais características do perfil epidemiológico dos atendimentos antirrábicos humanos efetuados no município de Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul, no período compreendido entre 2013 e 2015. A pesquisa foi realizada na Secretaria Municipal de Saúde do município no setor de Vigilância em Saúde e a fonte de dados utilizada foiram as fichas individuais de notificação de atendimentos antirrábicos humanos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação Compulsória (Sinan). Durante o período de estudo foram realizados 417 atendimentos antirrábicos no município. Do total de pacientes atendidos, 52% (216) eram do sexo feminino, e 24,5% (102) dos atendidos foram crianças entre 01 e 10 anos de idade. A mordedura foi o tipo de exposição mais frequente (82%). Em relação ao local, mãos e pés foram os mais atingidos (36%), provavelmente devido ao fato de a pessoa agredida se defender dos animais ou até mesmo no momento de tocar o animal. Cabeça e pescoço foram notificados em 50 casos (12%), relacionados com acidente de maior gravidade e, na maioria dos casos, em crianças. Em 83% das notificações a espécie agressora foi a canina, 7% felinos, 2,4% em herbívoro doméstico e 1% em morcego. Foram classificados como sadios 59% dos animais. Quanto ao tratamento indicado ao paciente humano, 49% foram observados e vacinados (205). Pelas características do tipo de exposição do paciente, a localização da lesão e as próprias condições do animal, em muitos casos foi recomendada apenas a observação do cão ou gato. O tratamento com soro e vacina, que é recomendado para casos de acidentes mais graves, foi prescrito em 5% dos pacientes, e muitos desses relacionados com crianças. Pelos resultados obtidos, a ocorrência em crianças é preocupante, apontando para a necessidade de uma maior supervisão por parte de adultos e de orientação da criança e seus responsáveis. Em relação a ficha de atendimento antirrábico humano do Sinan, que foi utilizada no trabalho, a equipe da Vigilância em Saúde do município constatou que ela não inclui dados sobre o animal agressor. Dessa forma, foi criada uma ficha complementar que insere informações importantes, como a condição de vida do animal domiciliado, semidomiciliado ou errante, calendário de vacinação, raça e porte do animal. Com essas informações, o médico-veterinário tem a possibilidade de implantar um trabalho de educação em saúde e de efetuar o acompanhamento dos atendimentos antirrábicos, uma vez que ele deve acompanhar tecnicamente o animal suspeito, encaminhar material para exame e também orientar medidas para a prevenção de novos acidentes com animais, com abordagem sobre bem-estar animal e posse responsável, o que possivelmente reduzirá o número de notificações de atendimentos antirrábicos em humanos. 


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