Workshop “uma ciência para o semiárido – tecnologia, saúde e qualidade de vida”

R. D. F. Coelho, A. I. Batista, D. S. Cassimiro, K. C. P. Silva, K. B. Santos, R. Castro, A. S. Oliveira, J. J. M. Cavalcanti, J. A. Nascimento Júnior

Resumo


A necessidade de conectar, relacionar e contextualizar conhecimentos é intrínseca ao aprendizado humano. A presença cada vez maior da tecnologia da informação em todas as áreas fortalece a ideia de conhecimento em forma de rede. A saúde pode ser vista como a capacidade de um indivíduo ou de um grupo social em se adaptar continuamente, para usufruir de qualidade de vida no presente e no futuro. A aplicação do modelo de Saúde Única com foco na harmonia entre humanos, animais e natureza possibilita potenciais soluções interdisciplinares. A realização do workshop “Uma ciência para o semiárido – tecnologia, saúde e qualidade de vida” teve o objetivo de promover o estudo, a troca de experiências e a aplicação de ciências interdisciplinares para o desenvolvimento do sertão nordestino. O evento foi realizado nos dias 14 e 15 de dezembro de 2016, usando as instalações e recursos audiovisuais do auditório do campus centro de Petrolina da Univasf, além do espaço físico de três salas de aula e o laboratório de informática. No primeiro dia foram ministradas três palestras com os temas “Saúde Única na prática: uma experiência no Haiti”, “Saúde Única X Saúde pública” e “Tecnologia a serviço da saúde e da qualidade de vida” como referencial teórico para a segunda etapa na qual os participantes foram desafiados a buscar soluções concretas e viáveis para problemas que afetam a saúde e a qualidade de vida na região. Os participantes foram divididos em três grupos, compostos cada um deles por acadêmicos e profissionais de diversas áreas das ciências da saúde, humanas e tecnológicas. Foram sorteados três temas, um para cada grupo: “Qualidade da água do Rio São Francisco e o impacto da presença das plantas baronesas na orla de Petrolina” (grupo 1), “Controle da incidência de Leishmaniose na região do Vale do São Francisco” (grupo 2) e “ O uso das tecnologias de informação e comunicação a favor da saúde pública” (grupo 3). Foram fornecidos materiais específicos ao respectivo tema do grupo, como dados estatísticos, artigos, notícias, além do suporte de um profissional com experiência de atuação na área do desafio proposto. O final do evento foi reservado ao julgamento das propostas dos três grupos cujo modelo contou com uma banca avaliadora composta por três profissionais de perfis diferentes, e para a avaliação foram considerados pontos como modo de apresentação do projeto, fundamentação teórica, viabilidade do projeto e orçamento. Estiveram presentes no total 59 participantes, de dez diferentes cursos: Ciências Biológicas, Engenharia Agronômica, Engenharia Civil, Engenharia da Computação, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Farmácia, Medicina, Medicina Veterinária e Zootecnia. Apesar de num primeiro momento ter sido observada a existência de disparidade entre as áreas de conhecimento, quando se formaram três equipes de forma aleatória e heterogênea houve uma ótima integração e os componentes se complementaram para discutirem problemáticas e construir ideias. Os grupos construíram as seguintes soluções: para melhoria da qualidade de água e combate a invasão das plantas “baronesas” (Eichhornia crassipes) no Rio São Francisco, o grupo 1 apresentou a proposta de remoção e remanejamento das plantas de forma sustentável, além do monitoramento do despejo de esgoto na área urbana das orlas do rio; o grupo 2 propôs a confecção de coleiras biodegradáveis antipulgas e antimosquitos, fabricadas com fibra de coco para animais domésticos, principalmente para repelir o mosquito flebótomo (Lutzomyia spp.), vetor da Leishmaniose; o grupo 3 propôs o desenvolvimento de um aplicativo para dispositivos móveis que permita a participação dos cidadãos na vigilância ambiental, com a possibilidade da denúncia de fatores de risco para a saúde pública e ambiental dentro do munícipio. A proposta do grupo 3 foi eleita pela banca examinadora como a melhor apresentada no evento, por receber maiores notas em todos os quesitos avaliados. As práticas multidisciplinares podem ser realizadas no ambiente acadêmico com a interação entre estudantes e profissionais, enriquecendo as experiências dentro da universidade, possibilitando a expansão do conhecimento. O confronto de grupos multidisciplinares com problemas e dificuldades que afetam a sociedade traz a possibilidade das construções de soluções reais e viáveis por meio da troca de conhecimentos e do trabalho mútuo para o amadurecimento de propostas e concepções.

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