Casuística das atividades desenvolvidas em um canil – Projeto “Veterinário Aprendiz Voluntário” realizado no município de Lavras, estado de Minas Gerais, Brasil, no período compreendido entre os anos de 2016 e 2017

T. A. M. Monteiro, A. P. Leite, M. C. P. Tiburzio, T. F. R. Marques, F. O. C. P. Ramos, J. N. Seixas

Resumo


São múltiplas as razões socioeconômicas e culturais que têm contribuído para o aumento da taxa de abandono de cães, que acabam sendo acolhidos em instituições de abrigo e ali permanecem durante longos períodos de suas vidas, aguardando a adoção. Esta dinâmica de entradas e saídas de animais tende a criar uma elevada densidade animal, o que favorece a aglomeração de indivíduos doentes. No entanto, ainda há poucos relatos acerca da casuística de atendimentos aos cães de abrigos. Este trabalho levantou os dados das atividades desenvolvidas no projeto de extensão “Veterinário Aprendiz Voluntário” da Universidade Federal de Lavras (Ufla) realizado em um abrigo no Parque Francisco de Assis, Lavras/MG, no período de julho de 2016 até março de 2017, e analisou a importância da atuação de veterinários e discentes do curso dentro da Medicina Veterinária do Coletivo. O projeto, composto por estudantes de Medicina Veterinária, levam mão de obra técnica voluntária ao canil, onde desenvolvem, dentre outros serviços, cuidados básicos em saúde, atendimentos clínicos, medicação e técnicas diagnósticas. Assim, os graduandos auxiliam no manejo diário dos animais, proporcionando uma melhora na qualidade de vida da população do canil. Em um período de oito meses, foram realizados 1221 atendimentos, dos quais 62% foram de limpeza de feridas e realização de curativos nos animais, e 35%, referentes à administração de medicamentos. Essas expressivas porcentagens se devem ao grande número de animais acometidos por diversas enfermidades, desde doenças infectocontagiosas (em que o controle é extremamente difícil pela elevada densidade de animais nos canis), doenças debilitantes (decorrentes do abandono e maus-tratos) até doenças crônicas e degenerativas, que requerem tratamento prolongado e, em muitos casos, vitalícios. Embora com todo o esforço empregado pelos discentes me docentes envolvidos no projeto, a eficácia geral dos tratamentos ainda é deficitária, pois envolve uma série de fatores, como a falta de diagnósticos precisos, que ocorrem por causa das limitações financeiras, técnicas e ambientais. O tratamento individual também é precário, uma vez que a rotina de medidas terapêuticas é, muitas vezes, impossibilitada pela falta de mão de obra e pela grande densidade animal. Assim, fica evidente a importância do trabalho extensionista no âmbito da saúde pública e na Medicina Veterinária do coletivo, uma vez que a casuística é alta e as carências são muitas.

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