Aspectos soroepidemiológicos da leishmaniose visceral no Departamento Regional de Saúde (DRS) XV região de São José do Rio Preto, estado de São Paulo, Brasil, 2008 - 2012

D. M. B Bertollo, José Eduardo Tolezano

Resumo


O objetivo foi descrever as características soroepidemiológicas da leishmaniose visceral (LV) no DRS XV, região de São José do Rio Preto, São Paulo, 2008 e 2012. Foram analisados dados secundários dos casos humanos, presença de vetores e resultados dos inquéritos sorológicos caninos. Foram notificados 251 casos suspeitos de LV humana (LVH), dos quais, 99 (39,4 %) confirmados, sendo 68 (68,7 %) autóctones da região do DRS XV. Houve predomínio pelo sexo masculino, a faixa etária mais acometida foi para menores de 10 anos e maiores de 51 anos de idade. A taxa de letalidade foi de 16,2 %, superior à média para o estado, estimada em 8,3 %. A relação entre número de casos confirmados e óbitos, disponíveis no SINAN/NET nos níveis municipal, estadual e nacional divergem quanto aos números de casos, foram 61 no SINAN nacional com 10 óbitos, enquanto que pelo SINAN estadual 68 com 11 óbitos. Em relação à LV canina (LVC) foram coletadas 45.343 amostras de sangue de cães. Foram utilizados quatro diferentes algoritmos, 12.871 (28,4 %) examinadas apenas pela RIFI; 632 (1,4 %), pelo ELISA e RIFI, ambos os grupos a partir de eluato de sangue coletado em papel de filtro; 22.387 (49,4 %) por ELISA e RIFI e 9.453 (20,8 %) pelo TR-DPP e ELISA, estes dois grupos examinados com soro sanguíneo. Dos 25 municípios incluídos no estudo, 12 realizaram inquérito amostral, oito (8) inquérito censitário, dois (2) com, pelo menos, um inquérito amostral e outro censitário e em cinco (5) municípios não houve registro de realização de qualquer tipo de inquérito. As maiores taxas de positividade nos inquéritos censitários foram observadas em Urânia 25,4 %, Votuporanga 20,1 % e Palmeira D’Oeste 19,0 %. A maioria dos municípios não realizou os inquéritos censitários e/ou amostrais, como preconizado pelo Programa Vigilância e Controle da LV (PVCLV). A principal via de acesso a região rodovia Euclides da Cunha percorre o território de 14 municípios que apresentaram transmissão ou presença de vetor. A interligação entre as ferrovias Ferroban e Ferronorte aponta possível rota de disseminação vinda de Mato Grosso do Sul. Com base nos resultados obtidos é possível concluir que a LV está em crescente expansão geográfica na região. Altas prevalências de LVH e LVC na região do DRS XV. A maioria dos municípios não atende ao programa de PVCLV. O contínuo processo migratório, a rodovia Euclides da Cunha e a ferrovia Ferronorte se apresentam como possíveis rotas de expansão da LV.

Palavras-chave


leishmaniose visceral; inquéritos epidemiológicos; epidemiologia; diagnóstico sorológico; letalidade

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