Efeitos da distância e da venda conjunta com pirarucu sobre os preços de espécies comerciais alternativas em sistemas de manejo comunitário na Amazônia Brasileira
OLENTINO, DanielLUBICH, ChiaraMEIRELES, BrendaGONÇALVES, Ana Claudia TorresYAMAMOTO, Kedma
RESUMO A co-gestão participativa do pirarucu tem sido amplamente estudada na Amazônia; entretanto, há pouca informação sobre espécies comerciais além do próprio pirarucu. A teoria econômica e as evidências empíricas indicam que restrições logísticas e estratégias de comercialização podem influenciar significativamente a formação de preços na pesca de pequena escala, afetando tanto a renda dos pescadores quanto a eficiência do mercado. Este estudo avaliou os efeitos da venda conjunta do pirarucu com outras espécies, da distância entre as áreas de pesca e os centros urbanos e do tipo de pescador sobre o preço de venda das espécies comerciais alternativas. Foram analisados 71 registros de produção pesqueira comercial, agregados por espécie, ano e área de acordo de pesca, envolvendo seis espécies de importância econômica no médio rio Solimões (Amazonas, Brasil), utilizando modelos lineares mistos com a espécie considerada como efeito aleatório. A distância entre as comunidades e os centros urbanos variou de 19 a 120 km, enquanto os preços oscilaram entre US$ 0,25 e US$ 2,26/kg, sendo mais elevados para Colossoma macropomum e mais baixos para Piaractus brachypomus e Cichla sp. Observou-se que a distância tende a aumentar os preços do pescado, embora o efeito tenha sido apenas marginalmente significativo. Esse padrão pode refletir um efeito indireto, uma vez que áreas de pesca mais remotas estão associadas à captura de indivíduos de maior porte, que geralmente alcançam preços mais altos. O tipo de pescador e as vendas conjuntas com o pirarucu não apresentaram efeitos consistentes sobre o preço. Esses resultados sugerem que a distância exerce um papel modesto, porém relevante, na formação de preços, fornecendo evidências preliminares de que fatores logísticos, especialmente a distância até os centros urbanos, influenciam as cadeias de valor multiespécies sob regimes de co-manejo participativo na Amazônia.
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