Seca extrema de 2023 leva ao primeiro registro de florações de Euglena sanguinea Ehrenberg em lagos da Amazônia
CASTRO-MENDES, RaizeNASCIMENTO, RenanBANDEIRA, Maiby GlorizeFLEISCHMANN, AyanGOMES, Maria CeciliaALMEIDA, FabianeVIEIRA, CamilaKEPPE, IsabelaMARMONTEL, MiriamGIANI, AlessandraPIMENTEL, JulianaGRAVENA, WaleskaBATAGLION, GiovanaNEVES, ThiagoFILHO, CesarFRIAS, MarianaSANTOS-SILVA, Edinaldo Nelson dos
RESUMO Eventos climáticos estão impondo diversas ameaças aos ecossistemas amazônicos. Em 2023, uma seca extrema ocorreu na bacia amazônica e diversos impactos foram documentados nos lagos Tefé e Coari, incluindo mortalidade sem precedentes de botos e florações de fitoplâncton. Aqui, relatamos a primeira floração documentada de Euglena sanguinea na Amazônia, fornecendo identificação morfológica e molecular da espécie e evidências de sua toxina, a euglenoficina. Essa floração atingiu altas densidades em ambos os lagos, provavelmente favorecida por temperaturas elevadas de até 38 °C, combinadas com intensa radiação solar e ressuspensão de sedimentos, fatores que podem ter desencadeado a estratégia nutricional heterotrófica de E. sanguinea. No lago Tefé, a comunidade fitoplanctônica era composta por Chlorophyceae, Bacillariophyceae e Cyanophyceae, com destaque para as espécies potencialmente tóxicas Dolichospermum sp. e Planktothrix sp., que, apesar de não terem desenvolvido florações durante a seca extrema, servem como indicadores de alerta precoce. Nossas descobertas indicam que condições extremas de seca associadas às mudanças climáticas podem desencadear novos eventos de floração em lagos naturais da Amazônia, ressaltando a urgência de um monitoramento aprimorado do fitoplâncton para antecipar riscos ecológicos e proteger as comunidades locais.
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