A miricetina modula a citotoxicidade e a genotoxicidade da oxaliplatina: potencial protetor e riscos biológicos
Trintinaglia, M.Trindade, M. E. G.Conter, F. U.Dihl, R. R.
Resumo A miricetina (ME) é um flavonoide presente em diversos alimentos de origem vegetal, reconhecido por suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e anticancerígenas. Este estudo avaliou o potencial antiproliferativo e antimutagênico da ME, tanto isoladamente quanto em combinação com o agente quimioterápico oxaliplatina (OXL), utilizando modelos in vitro. A citotoxicidade foi avaliada na linhagem celular NCI-H460 de câncer de pulmão de não pequenas células por meio do ensaio de MTT, enquanto o ensaio de micronúcleos com bloqueio de citocinese (CBMN-Cyt) foi realizado em células não tumorais CHO-K1 para investigar a instabilidade cromossômica e a citostase. A ME, nas concentrações de 5 e 10 µM, reduziu significativamente a viabilidade das células NCI-H460, demonstrando efeito citotóxico. A OXL isoladamente também reduziu a viabilidade celular; no entanto, quando combinada com ME, esse efeito foi atenuado, sugerindo uma interação protetora ou antagonista. Em células CHO-K1, a ME não modulou a citostase induzida por OXL em nenhum dos protocolos de tratamento. Em relação à genotoxicidade, a ME não reduziu a frequência dos marcadores de dano cromossômico (micronúcleos, pontes nucleoplasmáticas e brotos nucleares) quando administrada antes ou simultaneamente à OXL. Curiosamente, o pós-tratamento com ME aumentou significativamente a frequência de micronúcleos induzidos por OXL, indicando um efeito potencializador. Esses achados sugerem que, embora a ME possua atividade antiproliferativa contra células tumorais, ela também pode interferir na eficácia da OXL dependendo do protocolo de tratamento. Os resultados contribuem para o entendimento do duplo papel dos fitocompostos na quimioterapia, enfatizando a importância de se avaliar o momento e a interação em terapias combinadas.
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