Aspectos morfoanatômicos da estaquia de Selenicereus setaceus (Salm-Dyck) A. Berger ex Werderm. (Cactaceae)
Mello, C. CRowe, N. PSoffiatti, PZuffellato-Ribas, K. CSantAnna-Santos, B. F
A pitaya do cerrado (Selenicereus setaceus) é uma Cactaceae que tem forte potencial no mercado de frutas. Portanto, a estaquia é uma alternativa interessante na fixação de caracteres desejáveis para a espécie. Diante disso, o objetivo do trabalho foi entender o processo de origem e formação das raízes adventícias a partir da estaquia da espécie, sendo um passo importante para a compreensão e desenvolvimento de alternativas ao seu manejo. Foram realizados dois experimentos: o primeiro na primavera, testando-se dois substratos: (turfa + casca de pinus carbonizada 1:1) e (turfa + perlita expandida 1:1), e o segundo no outono, testando-se três substratos: (vermiculita + casca de arroz carbonizada), areia e (casca de pinus bio-estabilizada + vermiculita + moinha de carvão vegetal + aditivos). Em ambos, avaliou-se as variáveis enraizamento (%), número de raízes por estaca, comprimento das 3 maiores raízes (cm)/estaca, sobrevivência (%) e brotação (%). Para as análises anatômicas, amostras frescas foram seccionadas transversalmente e coradas com azul de toluidina. Na primavera, tanto a brotação quanto o número de raízes foram maiores quando se utilizou o substrato turfa + perlita expandida (1:1). No outono, não houve influência significativa do substrato utilizado no número de raízes, mas sim na porcentagem de enraizamento e no comprimento médio das raízes. Em relação à época do ano, não se recomenda a confecção de estacas no outono, pois não há brotação. Além disso, na primavera, as variáveis número e comprimento médio das raízes quando se utilizou o substrato turfa + perlita expandida (1:1), também foram maiores quando comparadas ao outono. Tanto na medula, quanto no córtex, há uma grande quantidade de cavidades mucilaginosas e amido, garantindo um suprimento de água e energia, condições que provavelmente influenciam a grande capacidade de enraizamento da espécie. A formação de raízes adventícias ocorre a partir do câmbio interfascicular, e essas atravessam as fibras perivasculares, feixes corticais e o colênquima que, portanto, não atuam como barreiras anatômicas. Nas regiões onde a epiderme já foi substituída pela periderme, não há formação de raízes adventícias, o que indica esse tecido como uma barreira ao enraizamento. Mesmo sendo reconhecida pelo fácil enraizamento, o tipo de substrato e a época do ano influenciaram nas variáveis aqui testadas.
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