Conhecimento e usos de Arecaceae no Brasil: uma revisão sistemática
Lima, L. S.Feitosa, H. M. R.Ramos, M. A.Jesus, E. L.Souza, B. M.Costa-Neto, E. M.
Resumo As palmeiras são um grupo de plantas que apresentam uma influência socioecológica significativa. No Brasil, são descritos cerca de 89 gêneros e 393 espécies, distribuídas por todo o país. Trabalhos acadêmicos evidenciam como os diferentes povos e comunidades tradicionais manejam e utilizam essas plantas. Assim, esta revisão visa abordar as seguintes questões: a) panorama geral da produção acadêmica sobre o uso de palmeiras no Brasil nas últimas três décadas; b) distribuição geográfica dos estudos; c) espécies mais frequentemente citadas por seus usos; d) importância da etnotaxonomia, considerando a influência das características morfológicas; e) partes das palmeiras mais utilizadas e principais categorias de uso. Utilizando a combinação das palavras-chave "Palmeiras", "Uso tradicional", "Etnobotânica" e "Brasil" no Google Acadêmico, foram encontrados cerca de 74.100 resultados, que, após filtragem, totalizaram 272 artigos. Os dados revelam um aumento no número de estudos etnobotânicos abordando o uso de palmeiras nos últimos quinze anos, concentrando-se principalmente nas áreas de Botânica, Interdisciplinar e Multidisciplinar. A maioria das publicações está em periódicos nacionais e aborda o tema de forma parcial. Os estudos relatam o uso e manejo de aproximadamente 109 espécies de palmeiras, das quais 38 são endêmicas, duas naturalizadas, seis variedades e um híbrido. A Região Nordeste é responsável pelo maior número de estudos, seguida pela Região Norte. Em relação à nomenclatura local e indígena dessas palmeiras, observou-se que múltiplas espécies, pertencentes a diferentes gêneros, são agrupadas sob os mesmos nomes populares, indicando uma sobreposição de denominações para táxons distintos. Os frutos têm grande relevância, seguidos por folhas, sementes e estipes. No Brasil, as palmeiras desempenham um papel fundamental tanto entre as comunidades locais quanto nos territórios indígenas, devido à sua abundância, diversidade ecológica e ao seu valor cultural, simbólico e utilitário, servindo como fonte essencial de alimento, matéria-prima, medicina tradicional e elementos rituais.
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