Detecção de enterobactérias entre psitacídeos apreendidos do tráfico de animais selvagens e mantidos em centro de triagem para reabilitação e soltura
Pavlenco-Rocha, V. GBarbosa, M. R. FGomes, V. TMoreno, A. MKnobl, T
O tráfico de animais selvagens é uma das atividades ilegais mais prevalentes no mundo, sendo o Brasil um signicante contribuinte neste contexto. Espécies de Psitacídeos são amplamente desejadas pelos consumidores finais dada sua procura no comércio de animais. Estes indivíduos que são apreendidos pelos órgãos competentes são, geralmente, encaminhados para os CETAS (Centros de Reabilitação e Triagem de Animais Selvagens), onde variadas espécies compartilham do mesmo ambiente sob stress, facilitando a potencial transmissão de microrganismos. Além das problemáticas ecológicas, a colonização e transmissão de microrganismos patogênicos entre os indivíduos e o potencial destes animais atuarem como hospedeiros de transporte e reservatórios de patógenos zoonóticos constituem uma grande preocupação para a saúde humana e animal. A microbiota de psitacídeos de vida livre é majoritariamente composta por bactérias Gram-positivas e a presença de bactérias Gram-negativas pode comprometer a saúde destas aves. O objetivo deste estudo foi caracterizar a microbiota entérica de psitacídeos resgatados do tráfico de animais e mantidos em um CETAS de São Paulo (Brasil) para reabilitação. Suabes cloacais foram coletados a cada cinco dias durante um período de 45 dias para monitoramento da presença e variação de espécies de bactérias Gram-negativas durante a permanência em cativeiro. Os resultados demonstraram que toas as 19 aves (100%) testaram positive para bactérias Gram-negativas, sendo 87% dos isolados pertencentes à família Enterobacteriaceae. Dentre estes, 46% foram identificados como Escherichia coli, 21% como Klebsiella spp., e 13% como Proteus spp. Estes resultados enfatizam a necessidade de avaliações microbiológicas nos animais durante a reabilitação para mitigação de riscos à saúde.
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