Parasitos de aves selvagens na Mata Atlântica: diversidade e prevalência em paisagens florestais e antropogênicas
Müller, R. A.Cerutti-Junior, C.Duarte, A. M. R. C.Pereira-Chioccola, V. L.Rangel, M. E. O.Vera, L. K. S.Braz, L. M. A.Marciano, M. A. M.Yamada, L. F. P.Corrêa-do-Nascimento, G. S.Fux, B.
Resumo As aves silvestres são importantes para a saúde pública, pois apresentam características epidemiológicas que as tornam espécies hospedeiras na transmissão e manutenção de diversos patógenos, seja como reservatórios ou pela dispersão de vetores artrópodes infectados. Recentemente, diversas espécies de aves têm sido empregadas como organismos modelo em várias pesquisas científicas. Investigações têm utilizado populações de aves silvestres como bioindicadores e sentinelas para identificar alterações na qualidade dos habitats, exposição a poluentes químicos e vigilância de doenças. O objetivo deste estudo foi investigar a prevalência e a diversidade de parasitos nas aves em áreas silvestres e antropizadas de Mata Atlântica no sudeste do Brasil. As aves foram capturadas entre 2021 e 2023 usando redes de neblina. Amostras de sangue foram obtidas de cada indivíduo por punção da veia braquial para pesquisa de hemoparasitos. Amostras fecais foram coletadas para identificação de parasitos intestinais. A prevalência geral de parasitos na população do estudo foi de 44%, a maioria dos quais foi proveniente do ambiente silvestre. Trypanosoma sp. foi o parasito mais prevalente na avifauna (34.6%), seguido por Plasmodium sp. (18%) e os parasitos intestinais, microfilária (9%), Cryptosporidium sp. (4.5%), Entamoeba sp. (4.5%), Giardia sp. (4.5%) e Isospora sp. (3%). Todas as amostras foram negativas para Toxoplasma gondii. A prevalência de parasitos observada neste estudo foi superior à registrada em outros trabalhos conduzidos na Região Neotropical e na Mata Atlântica brasileira. A investigação de parasitos em aves fornece subsídios valiosos para a compreensão da epidemiologia de diversas doenças e para a formulação de estratégias de prevenção e controle. Devido às suas características biológicas e ecológicas, as aves atuam como sentinelas relevantes da presença de agentes infecciosos nos ecossistemas. Em um contexto global de mudanças climáticas e ambientais, reconhecer esse papel reforça a importância de valorizar suas contribuições e de adotar medidas eficazes de conservação.
Texto completo