Corynebacterium uterequi no útero de uma égua do Rio Grande do Sul, Brasil
Nunes, Gabriela TormesMachado, Carolina SleutjesSeeger, Marlane GeriboneMello, Camila Benaduce EmanuelliSilva, Cassia Bagolin daFlôres, Mariana MartinsVogel, Fernanda Silveira FlôresCargnelutti, Juliana Felipetto
RESUMO: Corynebacterium uterequi tem sido isolado de éguas com infertilidade e perda embrionária precoce em rebanhos selecionados da Europa e África do Sul, porém há informações limitadas sobre sua ocorrência e papel patogênico em outras regiões. Este estudo teve como objetivo descrever as características laboratoriais de isolados uterinos de Corynebacterium sp. de éguas com distúrbios reprodutivos no Rio Grande do Sul (Brasil) e os achados citológicos e histopatológicos associados à infecção. Considerando a escassez de dados sobre as características deste agente bacteriano e seu papel nos distúrbios reprodutivos em éguas, foram realizadas análises microbiológicas, citológicas e histopatológicas em amostras de trinta éguas com histórico de distúrbios reprodutivos. Corynebacterium sp. foi isolado de amostras uterinas de doze éguas, estando associado (n = 6) ou não (n = 6) a outros agentes etiológicos. A análise microbiológica dos isolados revelou perfis morfológicos e bioquímicos altamente semelhantes aos de C. uterequi. A análise molecular das regiões do DNA 16S rRNA e rpoB de um dos isolados indicou alta identidade de nucleotídeos (99,38% e 100%, respectivamente) com C. uterequ depositado no GenBank (CP011546.1). Na citologia de oito éguas, foi observada inflamação de grau moderado a acentuado e entre esses oito animais, a inflamação foi observada em duas éguas com Corynebacterium sp. apenas e em seis éguas onde Corynebacterium sp. foi isolado em combinação com outras bactérias. A histopatologia das biópsias endometriais revelou fibrose glandular e periglandular, ninhos periglandulares e ectasia glandular em duas amostras, e endometrite linfoplasmocitária em outra. Duas éguas que apresentaram exclusivamente Corynebacterium sp. nos suabes uterinos exibiram fibrose periglandular multifocal com formação de ninhos e ectasia glandular. Assim, nosso estudo mostrou a circulação de C. uterequi em éguas do Brasil e nossos achados contribuem para o conhecimento de aspectos selecionados desse agente.
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