Sepse causada por Enterococcus faecium multirresistente pertencente ao grupo CC17 em duas cadelas: análise genômica comparativa
Souza, Thayanne Gabryelle Viana deSilva, Nayara Toledo daNascimento, Acácia Eduarda de JesusSilva, Tales Fernando daMelo, Isadora MariaCampos, João Victor FerreiraCastro, Yasmin Gonçalves deReis, Samella PriscillaOliveira, Ayisa Rodrigues deSilva, Rodrigo Otávio Silveira
RESUMO: Enterococcus faecium é reconhecido mundialmente como um dos principais agentes causadores de infecções hospitalares em humanos, principalmente os isolados pertencentes ao complexo clonal 17 (CC17). No entanto, seu papel como agente causador de infecções graves em cães ainda é pouco conhecido. Este estudo investiga dois casos de sepse causada por E. faecium CC17 em cães, combinando a caracterização clínica e patológica com a análise genômica dos isolados. O primeiro caso envolveu um cão que apresentava claudicação e inchaço do membro pélvico esquerdo, que evoluiu para uma ferida aberta, sepse e morte. O segundo caso foi uma infecção nosocomial em um cão após uma mastectomia radical. Os exames post mortem revelaram lesões consistentes com infecção bacteriana e sepse, incluindo diátese hemorrágica, trombose, endocardite e esplenite. E. faecium foi isolada em cultura pura de sangue ventricular e suabes de fluido peritoneal em ambos os animais. Os testes de suscetibilidade antimicrobiana revelaram que os isolados de E. faecium eram multirresistentes, apresentando suscetibilidade apenas ao cloranfenicol, à fosfomicina e à vancomicina. O sequenciamento genômico identificou ambos os isolados como membros do CC17, um complexo clonal comumente associado à sepse em humanos. Na análise de polimorfismo de nucleotídeo único mostrou que os isolados se agruparam com outras cepas caninas e estavam intimamente relacionados a isolados derivados de humanos, incluindo estirpes resistentes à vancomicina (VRE). Este relato fornece uma caracterização patológica e genômica abrangente de dois casos de sepse associada a E. faecium em cães. Os resultados destacam a importância da implementação de protocolos rigorosos de controle de infecção para mitigar infecções nosocomiais em hospitais veterinários.
Texto completo